12 de dezembro de 2011

Encontro de folhetim


Na esquina, prestes a atravessar a avenida, me irritei com um carro estacionado na faixa amarela (zebrada) me atrapalhando a visão. Ao volante, uma mulher. A placa, de Belo Horizonte. “O que ela tá fazendo aí? Vê se é lugar de parar!”, me exasperei. Mas logo ela virou de frente e comecei a reconhecer-lhe o semblante. Disse ao meu filho “Estranho, aquele rosto me é familiar, e a placa, de BH, parece uma colega jornalista, acho que conheço esta... Amééééééééliaaaaaaaaa!”. Baixei o vidro, gritei ainda mais alto, fiz gestos e ela, enfim, me viu. E assim se fez o escândalo entre duas peruas em pleno trânsito.

Cruzei a avenida, encontrei logo uma vaga e saí correndo do carro. Neste ínterim tive tempo apenas de dizer ao meu filho que não a via há cerca de 20 anos. E quando me virei, lá vinha a louca, correndo pelo meio da rua, com os braços abertos. Parecia cena de novela; só faltaram a roupa branca esvoaçante e trilha sonora. Não sabia se desatava a rir ou se corria também. Afinal, a saudade era mesmo enorme. Longo abraço, beijos, muita risada, ambas querendo falar juntas. E esta emoção toda teve de caber num bate-papo que não durou dez minutos.

Trabalhamos na TV Rio Sul anos atrás. Ela, apresentadora; eu, repórter. Nas férias dela, ou licença maternidade, lá estava eu na bancada do RJTV. E fora da redação e do estúdio vivemos uma amizade muito legal. Confidências, passeios, balada, Penedo. Saí da TV; Amélia foi embora para Belo Horizonte. Estamos separadas fisicamente há anos, mas nos falamos com certa regularidade, embora trocamos poucas notícias. Quando me tratei do câncer de mama, ela ficou pertinho de mim, por email, msn, telefone. Não me abandonou.

Tenho muitos amigos. Pessoas que conheci ao longo destes 43 anos em muitos locais de trabalho e grupos frequentados. Mas são poucas as que, quando esbarro na rua, causam este incêndio todo. Troco alguns “Como vai?” e pronto. Não há assunto. E isso não é exatamente ruim. É da vida. Não sei exatamente se é a afinidade que acaba, mas os objetivos, desejos e vontades individuais vão mudando após tanto tempo. Por mais simpática e educada que tento ser, não rola a mesma emoção, infelizmente. Não me lembro de encontrar na rua uma amiga ou amigo que não via há muito tempo e me permitir uma cena em público. Foi rápido. Mas pude constatar que permanecem a afinidade, a amizade, o interesse mútuo, e melhor: que as duas ainda são as mesmas peruas escandalosas de sempre.
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5 comentários:

Carol Bentes disse...

Amizade que perdura tempo e espaço, é mmmto mais valiosa!
=)

Maria Amélia Ávila disse...

Foi um encontro delicioso! Duas peruas loucas e o filho, lindo, de uma delas sem entender nada rsrsrsr
Não passamos na vida dos outros à toa, Giovana. Certas amizades são para sempre. Te adoro!!! Feliz natel e um ano novo cheio de surpresas como o nosso encontro num sábado chuvoso em Volta Redonda.

c i n t i a disse...

Nesse fds tb encontrei uma amiga de uns tempos atrás. Que aliás, vc tb conhece: Valéria Dantas, lá do Conmedh Saúde. Há tempos não a via e estava com saudades dela, foi um bate-papo muito bom, porém mais demorado, pois estávamos num casamento e ela era madrinha. Ai que delícia, adoro esses encontros!

Anônimo disse...

Ora Gigi, desde quando para fazer escândalo e "pagar mico" no meio da rua você precisa de reencontrar antigas amigas? rsrsrsrsrsr
Calino

Genis disse...

Delícia qdo isso acontece...
Encontro muitos alunos antigos e qdo eles gritam GENISLINDA! é o máximo...
Legal ter uma amiga assim, tão longe e tão perto...
Bjus, Genis ♥