4 de dezembro de 2011

Aventura na madrugada II – Sonâmbula


Dizem os especialistas que só acontece na adolescência, mas comigo o último episódio ocorreu com mais de 30 anos, já tinha filho e morava sozinha com ele. Dormi, como sempre tive um pouco de insônia, depois apaguei. Acordei de manhã bem cedo, com o despertar do relógio às 6 horas, sentindo dores em alguns pontos das costas e dos braços. Saí da cama e levei um susto. Espalhadas no meu lençol, embaixo de mim, estavam todas as minhas bijuterias (aff, não são poucas!). Fiquei de pé, atônita, olhando a cena por alguns minutos. Há muito tempo não tinha um registro concreto de que ainda sofria de sonambulismo.

Esta é outra face dos meus movimentos noturnos, que não tive espaço pra contar na crônica Aventura na madrugada. Desde sempre convivo com noites bastante intensas. Além dos sonhos cinematográficos e pesadelos assombrosos que me fazem acordar aos gritos, há os passeios. Nunca cheguei a sair de casa, mas já vivi momentos no mínimo engraçados, ao circular pela casa dormindo profundamente.

Falar, conversar, brigar, bater sempre foram atos normais durante minhas horas de sono, mas a primeira vez que me viram levantar, já devia estar com 14 ou 15 anos. Minha irmã costumava ler até de madrugada e eu dormia ao lado, mesmo com a luz acesa. Numa destas noites ela me viu sentar e me virar para o lado dela. Fui tirando a camisola bem devagar e em seguida embolei-a toda nas mãos e a atirei na cara dela. Deitei-me novamente e continuei a dormir tranquila.

Após esta primeira vez outras vieram. Numa delas usava a mesma camisola – azul, longa. Minha casa tinha um corredor comprido, o qual atravessávamos inteiro para chegar ao quarto dos meus pais. Pois passei pelo corredor, assustei meu pai que assistia à TV na sala (“Só vi aquele camisolão esvoaçante passar rápido”) e fui chamar minha mãe. “Ô, mãe, cadê o bolo?” “Que bolo, menina?” “O bolo, mãe, cadê o pedaço de bolo que a senhora me prometeu?”. Ela entendeu nada, voltei para a cama ainda dormindo e no dia seguinte me perguntaram o que teria havido. E só depois de muita conversa conseguimos identificar que tivera um episódio de sonambulismo.

Anos se passaram e nada de muito relevante aconteceu novamente, a não ser alguns objetos dentro do meu quarto que anoiteciam de um jeito e amanheciam de outro. Mesmo assim, minha mãe ficou apreensiva quando me casei, logo depois engravidei e a escada da casa não tinha corrimão. “Essa menina vai levantar de madrugada e despencar lá de cima”. E, claro, o corrimão foi instalado na urgência.

O que dá arrepios é que tais fatos foram testemunhados, porque havia mais gente em casa e proteção certa para estas aventuras, caso se tornassem mais perigosas, mas nem sempre foi assim, com a família por perto. Durante o período em que morei sozinha com meu filho, não saberia dizer se ou o que pode ter ocorrido nas minhas noites. Naquela manhã em que vi minhas bijuterias espalhadas no lençol tive um frio no estômago, pois aquele era uma prova de que levantara de madrugada, mas, e quando não deixei rastros? E meu filho dormindo sozinho no quarto ao lado?

Nunca procurei ajuda para isso a que chamam transtorno do sono. Até porque apesar de noites movimentadas, não cheguei a colocar minha vida e a de ninguém em risco, nem foram tantos eventos assim. Portanto, nada assustador ou preocupante. O diferente desta história foi levar o tal transtorno à vida adulta. Creio que em um ano de casamento novo nada tenha ocorrido até agora. Disse creio porque mesmo que aconteça algo, vai ser difícil acordar o maridão.
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3 comentários:

Joiva Egalon disse...

olá Giovana.
Muito engraçado saber que vc é sonambula. Eu também, até certo ponto. Certa vez quando criança conversei (apesar de estar dormindo) com minha irmã durante toda a noite, até minha mãe entrou na conversa. É engraçado, pois nunca lembro de nada. Mas, sonambulismo a parte não tenho mais essa preocupação a bastante tempo. Beijinho pra ti.

Carol Bentes disse...

Hahahah, histórias de sonambulismo são engraçadas. Tb tenho as minhas.
Mas nada que ultrapasse os limites da minha cama, ainda bem!

POESIA EM VOLTA disse...

Isso se o próprio ainda não te contou se aconteceu né?