25 de maio de 2011

Aventura na madrugada

Tem dia que a gente fica meio assim, zonza, saudosa, ou confusa, por causa de um sonho. Eu, com certeza. Dos vários sonhos que tenho durante a madrugada, posso me lembrar de quase todos quando acordo, mas sempre há algum mais significativo, marcante, assustador ou somente afetivo, nostálgico.

Quando consigo dormir plenamente, minhas noites costumam ser tão agitadas quanto em vigília. Tenho sonhos dos mais diversos, em cores vibrantes, sempre com muito movimento e diálogos. Encontro-me com pessoas também diversas, que podem ser familiares, amigos, ou gente que nunca vi. Aliás, o que mais me aparece é gente que não conheço. Não sei como crio tantas imagens humanas, com suas peculiaridades muito bem detalhadas. Queria ser tão criativa assim de olhos abertos.

Às vezes canso de tanto sonhar. Há dias em que acordo exausta, como se tivesse realmente vivido aquela aventura toda. Digo isso porque a grande maioria dos meus sonhos é como filme; eles têm início, meio e fim, com direito a desfecho e o relógio despertando em seguida. E não é raro levantar como se não tivesse dormido: muito cansada.

Tenho amigos que dizem não sonhar. Deitam, apagam, passam a noite em branco. Não sei se isso é possível, pois o cérebro se mantém em movimento permanente. O que pode ocorrer, creio, é o indivíduo não se lembrar de nada. Nada mesmo. E achar que não sonha. Neste caso, apesar de eu ficar tonta de sono quando sonho muito, prefiro continuar com meus passeios noturnos. No mínimo é interessantes lembrar depois. Muitos deles até escrevo e viram pequenas histórias surreais.

Hoje, por exemplo, sonhei que minha gata, a Flora, caiu num recipiente parecido com um vaso sanitário e foi embora com a água em pressão, feito a descarga. Porém, imediatamente após ser engolida pelo encanamento, ela me apareceu metros depois, no fundo de um outro vasilhão, com as patinhas esticadas, olhos fechados. E eu, simplesmente, a tirei de lá, a enxuguei e pronto. Não lembro de mais nada. Vai entender.

Também tenho sonhos que duram muito tempo, desses que acontecem em partes, intervaladas por uma ida ao banheiro ou à cozinha. Sério. Sou capaz de acordar de um sonho, me levantar, voltar à cama, pegar no sono novamente e continuar de onde parei. E isso já aconteceu mais de uma vez numa só noite, com o sonho interrompido duas vezes, ou seja, sonhei em três capítulos.

Como disse, sonhar é muito interessante, ou divertido, pelo menos no meu caso. Mas pode ser doloroso também. Não falo dos pesadelos, muito comuns nas minhas madrugadas. Neste momento em que escrevo tenho o coração apertado pela lembrança enevoada de outro sonho que tive hoje. Posso dizer que me encontrei com uma pessoa muito amada, muito importante pra mim, e que conversou comigo durante longo tempo. Estava linda, como a conheci, mas não recordo de nada além disso, nem uma palavra. Apenas me senti muito bem ao sentar na beira da cama e reviver na lembrança estes poucos detalhes. E este tipo de sonho, embora me entristeça por não mais poder realizá-lo, traz também a nítida sensação de que estive mesmo com ela. E isso dá uma saudade de doer. Os espíritas acreditam que quando dormimos somos desligados temporariamente do corpo e vivemos, em espírito, as histórias que chamamos de sonhos. Como sou espírita, gosto muito de crer nisso, quando me convém.

Sonhos podem ser premonitórios, sim. Até meu terapeuta afirmou que é possível. “Mas só sabemos se é mesmo, depois que acontece algo. Então, enquanto não acontece nada, melhor não pensar”. Já tive os meus, os que deram em alguma coisa e os que deram em nada e estes, felizmente, foram maioria. Porém, os que se realizaram de alguma forma foram tão escancarados, que minha mãe costuma dizer “você sabe que é proibida de sonhar comigo, né?”. Ah... E há ainda os episódios de sonambulismo. Mas isso fica pra uma outra conversa, pois a vida real está aqui me cutucando, numa correria insana, quase igual aos meus sonhos.
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7 comentários:

c i n t i a disse...

Ultimamente tenho sonhado muuuuito. Mas isso acontece comigo quando minha mente está agitada e eu fico pesando em muitas coisas ao mesmo tempo durante o dia. Quando estou assim, as noites são loucas com sonhos confusos, muitas vezes lúcidos, e na maioria das vezes com cenas que tem a ver com fatos que estou preocupada. Conclusão: acordo cansada e às vezes até com leve dor de cabeça.
Aí eu preciso fazer aquele exercício de silenciar a mente. Uma semana praticando, me dá noites tranquilas e bem descançadas. Quando eu sonho nessas ocasiões, são sonhos que me dão dicas de coisas no dia a dia, pequenos atalhos para aqueles problemazinhos nossos...

Ricardo Nascimento disse...

Interessante. Os sonhos sempre foram um mistério e creio que continuarão a ser por muito tempo... Amei o texto, pois acho que todos - ou a maioria -das pessoas - isso ocorre...
Comigo então hehehehe
Um abraço
Ricardo Nascimento

Elaine Bertone disse...

Bacana o seu post, porque sonhar é mais um mistério que não alcançamos. Ele tem os seus significados (quem nem sempre sabemos interpretar), pode ser ou não premonitário e pode ser uma viagem espiritual. O fato é que eu já sonhei bastante quando criança e por um período tinha sonhos repetidos. Noite após noite - ele se repetia nos mínimos detalhes - isso você não comentou, né? Depois, isso parou de vez. De fato todos sonham, mas nem sempre a gente se recorda. Quando me lembro -- procuro tirar algum significado e de tanto exercitar, por vezes acerto.

Carlucio Bicudo disse...

Sonhar é bom!
É divertido, quando acordamos no meio da noite, assutados por causa de algum pesadelo e descobrirmos que tudo não passou de um sonho.
Como gostaria de que muitas dos fatos reais que nos acontece no dia a dia, fossem nada mais do que um belo sonho.Rsrsrs...

Carol Bentes disse...

Agora vc me pegou! Adoro falar sobre sonhos! rs
E ri muito desses seus sonhos em três capítulos, com direito a intervalos comerciais para dar uma ida ao banheiro ou fazer a pipoca, hehe.

Ultimamente, meus pesadelos de garota crescida têm a ver com a matemática. Sempre que começo a contar números é como se minha mente travasse ali, e o sonho não acontece mais. Fico contando e recontando... até acordar perturbada, com um nó no cérebro.
Odeio sonhar com números!

Jane Portella disse...

Giovana fico impressionada em ler seu textos, simples, profundos, reflexivos e perfeitos. Parabéns, amiga. Diferente de sua mãe, pode sonhar comigo, de preferências coisas bastante boas. As ruins, já gente enfrenta também.

Beijos

Carol Cunha disse...

Os sonhos de que me lembro quando acordo tb são verdadeiras aventuras!! Muita coisa acontece e rápido. Algumas bem próximas da realidade e outras completamente fantasiosas. Já obtive algumas respostas dos meus sonhos; já tive idéias reais, tiradas de sonho; viajei para lugares lindos; morri, fiquei doente, caí de um precipício; fiquei sufocada...Afoguei, coisas assim. Nestes casos, acordar sempre foi um alívio. Sobre sonhos, veja o filme A ORIGEM com Leonardo de Caprio. Bem bacana!!!
bjocas