20 de janeiro de 2011

De fitinha a plicômetro, com direito a foto

Constrangedora. Assim defino a situação de quem precisa se submeter a uma avaliação física para iniciar treinamento numa academia. Porém, em alguns casos, como o meu, o que é constrangedor transforma-se instantaneamente em hilário. Explico: após dois anos de vida sedentária (do trabalho para casa, do computador para a cozinha e desta para a cama) e com quilos a mais acumulados por toda parte, decidi que agora, sim, é hora de investir pesado (sem trocadilho) na minha saúde.

Entrei para uma academia que presta atendimento do tipo personal. Na verdade, um estúdio de treinamento físico, onde contarei com a atenção integral do meu professor para cuidar deste corpitcho tão machucado após o tratamento contra o câncer e os embates emocionais recentes. Tudo explicado, tudo conversado, lá foi a Giovana fazer avaliação. Detalhe importante: de biquini. Quem me lê há mais tempo conhece minha história com biquini, após a cirurgia.

Cicatrizes, abdômen abaulado, uma mama maior que a outra e, claro, gordurinhas indesejáveis saltitantes. E a criatura ali, numa sala minúscula, diante de um homem estranho (simpático, educado e respeitoso, mas estranho). Tenho que perguntar: quem merece?

Pra começar, medidas: com uma fitinha nas mãos, o professor mede tudo, milimetricamente. Contorno dos braços, pernas, coxas, cintura, peitoral. Vira de frente, de costas, afasta as pernas, olha para a parede, levanta o braço, faz força assim, quero medir o muck (hã?), peso, altura. E é neste momento que descubro não ter mais 1,65m. Estou menor, com 1,63m chorados, segundo o professor. “O ser humano diminui de tamanho mesmo, por causa da desidratação entre as vértebras. Reduzimos altura até ao longo do dia”. Ah tá, fiquei mais baixinha, é isso... Se gostei da informação? Ainda estou em dúvida.

Em seguida, plicômetro. Não sabe o que é isso? Trata-se de um equipamento usado para medir a gordura localizada. Para obter a medida, é preciso que o professor puxe a pele com os dedos, como num beliscão, para encaixar a régua. Não chega a doer, doer. Mas dói. E a pessoa ali, paciente, se disponibilizando. E entre uma beliscada e outra, ouço: “É, tem muita coisa aqui mesmo pra perder”. Uau! Que motivador ouvir isso, hein?! “Pelo menos a gente vai ter muito o que trabalhar, né?” Ficou pior. A minha reação, claro, muita gragalhada. Só consegui rir da minha situação.

Para finalizar, fotos. É, caríssimo leitor, tirei fotos de biquini, algo que não faço há cerca de um ano, por motivos óbvios. À frente de uma plataforma vertical toda quadriculada, a pessoa deve se posicionar corretamente para uma fotografia que será comparada a outras, futuramente, em avaliações periódicas. Então tá. Fica assim, reta, não precisa se arrumar, deixa os braços um pouco distantes do corpo, estica um pouquinho os dedos, afasta os pés, olha para frente, isso, “agora dá um sorriso”. Para o mundo que quero descer! Depois de armar tudo isso, ainda pede pra sorrir?! Não dá... Tive outro acesso de riso, saí da posição e precisei me ajeitar novamente.

E como no final tudo dá certo, fui autorizada a me vestir e acabar logo com aquela sequência animadora. Avaliação terminada, combinamos de iniciar minha programação logo no dia seguinte, com exercícios aeróbicos na esteira. E minha primeira experiência com este equipamento já é uma outra conversa, que ainda estou decidindo se vou contar numa próxima crônica. Adianto que ri muito em casa ao relatar para a família. Imagine você.
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10 comentários:

Fernando de Barros disse...

Gio
Seus textos estão cada vez melhores. Você consegue mostrar, de uma forma leve, os "dramas" que vivemos no nosso dia a dia.
Parabéns e seja benvinda ao mundo das "baixinhas". rsrsrsrsrs

Beijos

Jader Moraes disse...

Ah, que delícia de texto. Adorei! haha

Eu também tenho que entrar nessa maratona...

Genis disse...

Fiquei imaginando cada detalhe... simplesmente demais!!
Bjs.

Calino disse...

Ora! Definitivamente não gostei, pois essa avaliação deveria ter sido registrada fotográficamente e eu não fui convocado. rsrsrsr

Katia Zanvettor disse...

Há!há...que delícia acordar, ligar o computador para trabalhar e encontrar o seu texto! Chorei, literalmente, de rir lembrando das vezes que já passei por isso! Muito bom, estou viciando em te visitar entre uma escrita e outra!

bjs

GIL ROSZA disse...

Ironia fina, elegante! Adoro quem domina essa arte em textos. Fora isso, tô aqui rindo até agora.

artedodesenrolo disse...

Eu estou a um tempo sem malhar, +_ 1,5 anos... ganhei neste tempo simplesmente de 78 pra 90... ótimo heim? Minha sorte é a altura e o porte que é meio difícil de perder, + preciso perder muuuita gordura, porém academia não da pra mim mais não, negócio é caminhar, correr, perder gordura... agora academia é foda, vc malha, malha, malha... fica fortão.. depois para e perde tudo, é frustrante.

Abraço
Renan Cury.

Simone Couto Kaplan disse...

Querida, quanta surpresa dentro desta crônica...

o que me encanta nela é a tua força e capacidade de tirar o melhor das situações. Parabéns por estar se cuidando. Verá que o prazer mental que o exercício trás vale muito mais que as tais gordurinhas extras...

Me deliciei com esta jornada tua!

Bjs,
Simone

Rosemeire Ferraz disse...

Adorei! Não sei se sabe mas tb não tem muita importância... o fato é que sou fã do seu espírito, fã do seu humor e sobretudo fã da escolha que vc sempre faz em ver a vida mais leve...rs... ou pelo menos, faz-nos vê-la assim.
Beijo grande!!!

aaaa... quanto a malhação, aguenta firme! rsrs vai valer a pena sentir-se melhor, já que esta incomodada, porque para nós fãs... sempre estará bela!!!!

Carol Cunha disse...

Hahahahahahahahahha sei bem o que é isso!!! Nossa, esta avaliação é medonha!! A gente se sente uma espécie de equívoco da natureza sendo avaliado por alguém "perfeito". Afff!! Aliás, climinha de academia ninguém merece!!! Tá certo que traz muitos benefícios e tal, mas, fala sério, parece que mudamos de planeta quando começamos uma atividade após longo período de sedentarismo. Só nós não nos "encaixamos". Nas academias todo mundo é íntimo, todo mundo é amigo do professor!! Existem piadinhas internas que a gente bóia. Enfim, claro que estas situações ocorrem tb fora destes ambientes, mas, nestes casos não estamos com calça de lycra!! Isso sem falar nos espelhos!!! Eles estão sempre por perto, nos revelando a nós mesmo. Dureza... Mas a boa nova é que isso passa e rapidinho a gente fica amigo do professor, entende as piadas internas e começa a tirar onda em frente ao espelho!!!
Boa sorte!! Só não vai virar rata de academia e parar de tomar uma cerva gelada, hein??? heheheh
Bjuuuuuuuuuuussssssss