4 de janeiro de 2011

Camping x Mulheres

A aventura de virar o ano numa estada quase silvícola

Qualquer pessoa sabe o grau de espírito aventureiro necessário para encarar um camping, principalmente quando se trata de um feriadão do porte de um Réveillon. No caso das mulheres tal virtude deve ser algo congênito, deve estar no sangue, um desejo atávico, desses que se traz através de encarnações seguidas. Gosto muito de acampar; nunca encarei as limitações deste tipo de programa como incômodas, ao contrário, sempre me diverti com elas.

Basta relaxar para achar graça, por exemplo, em levantar de madrugada para ir ao banheiro. Algumas até têm coragem e flexibilidade corporal para fazer xixi agachadinhas atrás da barraca, mas a maioria não. Se a criatura esquece da vida e bebe todas na passagem de ano, haja disposição para sair da barraca três, quatro vezes, no escuro, levando lanterna numa das mãos e na outra a sacolinha com o rolo de papel higiênico. E, já no vaso sanitário, morrendo de sono, não poder se sentar tranquilamente é outra aventura equilibrista.

Aliás, papo de banheiro não falta nestas ocasiões. No caso do Réveillon, com camping entupido, todo colorido por dezenas de barracas que quase se esbarram, nem é preciso muito esforço para imaginar em que estado fica o banheiro feminino. O programa mais agradável do dia é encarar a fila para o banho: média de 18 mulheres no horário de pico (31 de dezembro, entre 18 e 20 horas). Quem topa uma ducha gelada (super gelada!) não espera muito tempo, mas os chuveiros elétricos são disputadíssimos, e são poucos. E a mulherada demooora para lavar o corpitcho.

Por isso tomar banho em camping deve ser algo bem planejado na programação do dia. É preciso ir para o banheiro sem pressa e se tiver compromisso agendado, se antecipar ao máximo. Além de tudo o que ocorre de, digamos, comum numa situação como esta, também há os elementos surpresa, que podem nos tirar boas gargalhadas ou enraivecer os mais rígidos ou moralistas. Uma destas surpresas é estar aguardando pelo menos 20 minutos na fila e ao se abrir uma das cortinas sair um casal gay. O ti-ti-ti é inevitável.

Junte-se a esta aventura a chuva que cobre de lama boa parte do camping, isso quando não há alagamentos. Quem conhece o local já sabe exatamente onde montar a barraca para garantir conforto e segurança durante os dias de permanência. Quem não conhece... Dá pena. Se for só uma laminha, tudo bem. O maior problema é sair do banho com os pés limpinhos e sujá-los em poucos segundos. As mais espertas sabem que nestas ocasiões usam-se tão somente as tradicionais sandálias de borracha e nada mais. Melhor assim, sem o estresse de sair arrumada, calçando um par de tênis, e voltar com ele encharcado e muito esculhambado. Sem falar nas insanas que insistem nos saltos. Ridículo é pouco para descrever a situação. Risível. Talvez deprimente.

Como disse no início desta conversa, o espírito deve ser de aventura mesmo, mas com uma boa dose de gosto pelo natural, por se vestir menos, preocupar-se menos, dormir vendo o céu pela janela da barraca ou ouvindo o ruído da chuva na lona, acompanhado do vento nas folhas das árvores. É canção de ninar. Para completar, boa companhia, para ficar mais fácil e prazeroso passar os três dias de feriado. Só três. É tempo suficiente para uma mulher suportar.
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10 comentários:

Frávia, a dona do brog disse...

Eu nunca participei de um passeio desses e não acho que suportaria. Porém, lendo o texto, imaginei que deve ser, no mínimo, divertido passar por situações semelhantes... rs.
E se for divertido, pra que mais?
Beijo

c i n t i a disse...

Tô fooora!!!!
Só em dias menos concorridos como foram os nossos daquela vez, que eu adorei.

Bjs

Debora Martins disse...

Oi Giovana, confesso que não iria a um programa desses, até ler o final do texto: "...dormir vendo o céu pela janela da barraca ou ouvindo o ruído da chuva na lona, acompanhado do vento nas folhas das árvores..." Esse cenário é sempre descrito em livros da nossa literatura (Seminarista, O Cortiço, entre outros) e é exatamente isso que nos faz viajar e desejar estar nesses lugares quando lemos. Então, se acamparmos vendo o lado positivo das coisas, talvez seja mesmo possível viver momentos felizes. Parabéns pelo texto!

Bruna Fernandes disse...

Ahh eu gosto muito de acampar mas os mosquitos são a pior parte! rsrs

Ótimo texto

Bjs

artedodesenrolo disse...

Sou adepto da seguinte vertente: "Quem está na chuva, é para se molhar", portanto, creio eu, que estar numa região regada de natureza e ar puro, e para melhorar, com companhias agradáveis, é o melhor momento para desfrutar de tudo de libertino que o mundo pode lhe proporcionar, afinal de contas, uma pessoa isolada do centro e do lado de quem realmente gosta é capaz de fantasias inimagináveis.

GIL ROSZA disse...

hahahahaha... mto duka Gio! fui lendo e imaginando a cena... bejão

Néia Berbet disse...

Amiga,e quando a gente resolve,cozinhar? Putz! Não tenho mais esse espírito aventureiro, mas na época era muito divertido. Acontece tudo isso mesmo,rsrsrs. Um abraço.

Carol Cunha disse...

Sou virginiana, ou seja, 0% aventureira. Até me encanto com a idéia. Mas só com a idéia. Acampar pra mim, só no quintal de uma casa bem confortável!! hehehe
Me instalo em qualquer moquifo, sem problemas, mas preciso de um banheiro só meu e de um lugar coberto e com janelas para dormir.Algo diferente disso, só em estado de calamidade pública, catástrofes, ou afins.

Ítalo de Paula disse...

Muito bom encontrar blogueiros competentes na nossa região. Passarei a segui-la.

Forte abraço.

Wellington Morais disse...

Olá Giovana, apesar do seu texto ter o seguinte título: Camping x Mulheres
, sou adepto dessas práticas (acho que nós homens somos mais resolvidos quanto a isso, se é pra fazer, que seja levado da melhor maneira possível... E é muito bom mesmo, apesar dos pequenos imprevistos, é bom, pois sair da rotina as vezes, por mais que seja desagrável, ou não, é um bom programa. Nessas férias mesmo, eu fiz um programa assim. E foi ótimo, dormir olhando o céu estrelado e escutando o barulho do mar ao longe. Isso quando se foi possível dormir! Ótimo programa.