6 de abril de 2010

Correntes

Credulidade, insegurança ou ignorância?

Antigamente elas chegavam pelo correio. Vinham em envelopes branquinhos, sem identificação do remetente, e quando eram abertas a gente levava um susto, pois o tom da conversa era ameaçador e nos obrigava a obedecer passo-a-passo o que determinava o texto. Com a evolução tecnológica e para muito incômodo de quem usa a tecnologia para trabalhar, elas se popularizaram e diariamente lotam nossas caixas de entrada. E agora, como se não bastasse ter que deletar dezenas de emails só pelo assunto, sem ler, as insuportáveis me chegam pelo celular!

Se você, caro leitor, costuma usar emails com frequência, com certeza já sabe que estou falando das temidas correntes, aquelas coisas horrorosas que ganharam a internet e enchem o nosso saco todos os dias. A maioria é feita em PPS, que ninguém aguenta ficar passando, passando, passando. Trazem textos intermináveis, feios, mal escritos e, claro, ameaçadores. “Se em 18 segundos você não repassar esta mensagem a 525 pessoas da sua lista de emails, vai cair um raio na sua cabeça”.

O pior de tudo não é receber dezenas de mensagens assim diariamente. É descobrir que ainda existe gente que acredita nisso. De onde vem tenta credulidade? Carência? Insegurança? Ignorância? Se tais emails não enchessem minha caixa não acreditaria que pessoas com formação acadêmica, que leem jornais todos os dias, que têm um mínimo de informação e cultura pudessem crer nessas bobagens e ainda encaminhá-las para tantas outras pessoas, certas de que elas vão acreditar também.

E os temas variam; é história para todos os gostos. Há milhares de correntes de Nossa Senhora; de anjo disso, anjo daquilo; da flor que nasce num único lugar do mundo e que chega a sua casa pelo milagre da internet; do Espírito Santo; da Bíblia; do mago que esqueci o nome; até Chico Xavier envolveram nessas lendas, logo Chico que nunca passou nem perto de corrente. Há ainda aquelas que apelam para a caridade, ao nos apresentarem, por exemplo, fotos de crianças supostamente doentes. Para ajudá-las temos que reencaminhar o email ao maior número de pessoas possível, para que uma também suposta empresa doe um valor x relativo ao número de vezes que a mensagem foi lida. E o boato cresce; e as redes ficam congestionadas com a enorme quantidade de emails circulando.

Toda vez que vejo um FW ou essas duas letrinhas repetidas várias vezes no campo assunto, já me dá arrepios. Boto fora, sem abrir. Acho que de tanto quebrar correntes ou mesmo de nem abri-las já deveria estar sozinha no mundo, sem família, sem filho, sem amor. Poderia estar doente, ou ter morrido num acidente. Nunca acreditei em nenhuma delas, nunca repassei e repito: fico estarrecida com as pessoas que me mandam correntes. Mais: não conheço ninguém que tenha verificado pelo menos a procedência das mensagens. Elas são simplesmente recebidas e encaminhadas, com aquele recadinho típico: “Recebi e tô repassando”.

Fico imaginando um ser à toa, que brinca diante de um computador, criando essas coisas para mexer com o emocional alheio. Deve se divertir muito montando aquelas apresentaçaões em PPS, altamente cafonas, com imagens de santos, céu, nuvens, campos verdes, flores, montanhas. Tudo isso acompanhado de textos melosos, mal feitos, abarrotados de erros. Criam um endereço, enviam esses despropósitos para várias listas e pronto. Facinho, facinho. Horas depois há milhares de crédulos repassando um monte bobagens para milhares de outros.

Adoro a internet e tudo o que ela me oferece de interessante. Uso-a como ferramenta de trabalho e para ações que considero úteis. Sou blogueira, orkuteira e tuiteira. Recebo e envio dezenas de emails todos os dias. Não consigo ainda usufruir tudo o que a tecnologia me oferece porque não tenho tempo para aprender. Meu celular possui diversos recursos que não aproveito. Faço e recebo chamadas, envio e recebo torpedos, ouço música. Também me divirto, claro. Mas correntes, você leitor, não receberá nenhuma remetida por mim. Pelo celular, então, é o abuso do absurdo!
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7 comentários:

Anônimo disse...

Giovana, muito boa essa sua mensagem, boa mesmo, será que você vê que eu deixo comentários no seu blog?!
Hum, adorei a frase: “Se em 18 segundos você não repassar esta mensagem a 525 pessoas da sua lista de emails, vai cair um raio na sua cabeça”.

Também não acredito muito nessas correntes, mas as vezes olho algumas sim...

Depois desse "esporro" de leve, nunca mais envio corrente pra ninguém.

Muito bom texto, amei! Beijo

wellington disse...

Wellington, UniFOA

jussa disse...

Giovana
Estava sem tempo, mas hoje consegui ler esse maravilhoso texto. Aliás estava com saudade de ler os seus textos. Toda vez que recebo uma dessas correntes com aqueles vários FW, fico pensando, eu poderia estar ganhando 1 real por cada pessoa que encaminhou. O mundo tá complicado e as pessoas se apegam a tudo mesmo, eu também não repasso, não abro e não consigo entender. Tem gente por aí que tem tempo sobrando.
Beijos
Jussara

Anônimo disse...

Muito bom o texto. 100% verdade. Mas, se você não encaminhar este comentário para as 525 pessoas da sua lista,vai cair um raio na sua cabeça.

Carol Bentes disse...

Tb odeio essas correntes cibernéticas e me indago a respeito das pessoas que as repassam.
Mas nunca parei pra pensar nas pessoas que criam essas correntes... realmente... podiam usar esse tempo e criatividade pra uma coisa melhor hã?!

Giovana Damaceno disse...

Do meu amigo Calino:
Oi amiga,só para sua informação: algumas das correntes que você citou no seu blog já estão na net há anos. Recebo uma média de 30 emails diariamente e junto, algumas dessas porcarias. Pedidos de ajuda, crianças desaparecidas, etc., NUNCA repasso sem antes checar suas veracidades, pois, afinal, alguma pode ser verdadeira. Só que em nenhuma delas, repito: NENHUMA, consegui confirmação ao pedido. Ora o telefone citado como para contato nem existe, ou só dá ocupado o dia todo e tem até o caso de um Hospital de nem sei mais onde fica que estava fazendo transplantes de córneas gratuitamente. Esse eu consegui contactar; era uma maternidade, que vem sofrendo esse trote já há dois anos. Pode?

c i n t i a disse...

O que esses emails escondem são os famosos Spans. Qto mais a gente encaminha, mais eles vão gravando nossos emails, e os dos nossos amigos, para que possamos receber cada vez mais entulho em nossa caixa de emails.
Nada mais é do que formar um banco de dados para vender para empresas que vendem produtos.
Eu tb não leio, deleto sem dó.
E quando quero encaminhar um email de fato interessante (e é sempre bom lembrar isso) coloco todos os emails em CÓPIA OCULTA - CCO. Isso afasta as chances de seus contatos (e você) cairem nessas listas intermináveis de correntes e publicidade barata.