2 de outubro de 2009

Ruídos insones

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vento na fresta da janela

folhas do antúrio batendo no vidro

carros passando (ou voando?) no estradão

motor da geladeira

asas da mariposa

televisão do vizinho

choro do bebê do vizinho

a voz da mulher do vizinho

água caindo na caixa d'água
pipa balançando ao sabor do vento agarrada no fio do poste

cachorros latindo nas ruas

meus cachorros latindo no portão

minha respiração

a caneta no papel

10 comentários:

Cintia disse...

Uau! Isso me lembra muito Poesia Concreta.
Adorei.

Cintia disse...

Não resisti... foi pto blog!

Eu por Quitéria disse...

Faltou os aplausos e assobios de quem terá o prazer de ler...Bravo!!!

Cessel disse...

Tenho raros momentos de insônia. Na próxima vez eu paro pra reparar.

POESIA EM VOLTA disse...

Já ouviu a sábiá, cantando 3 hs da matina, pode?

Frávia, a dona do brog disse...

Ow! Eu ouço tirosss!!! Moro na favela, lembra? rsrsrsrs.
Adorei o texto... beijo

Fabiola Campbell disse...

Amei o texto amiga... sem contar que é uma ótima ideia pra passar as intermináveis horas da madrugada.

Meu prédio fica em uma esquina movimentada. Praça, posto de gasolina com loja de conveniência, ponto de táxi, bares, bares, bares...

Ouço de tudo um pouco. Gargalhada, conversa de taxista, briga de namorado. No posto de gasolina ouço de funk a sertanejo, dependendo do gosto do motorista. Em uma das noites que perdi o sono rolou até uma partida de futebol, taxistas x frentistas.

Por morar em uma das cidades mais bem planejadas da região (risos), também tenho a oportunidade de escutar o barulho do trem cortando a cidade.

Isso em dias normais, de segunda a sexta-feira e sem finais de campeonato.

Bjs

Thayra Azevedo ♥ disse...

Nossa, como todoss dizem. Realmente um escritor é inspirado a qualquer hora. Prece um poema profundooo. adorei.

Thayra Azevedo ♥ disse...

Esqueci de acrescentar: em minhas raras noites de isônia ouço as minhas lágrimas caindo sobre o papel, eu sempre me desespero rsrs

Elaine disse...

É pau, é pedra... é o fim do caminho, é um resto de toco, é um pouco sozinho... É um caco de vidro, é a vida é o sol, é a noite, é a morte, é um laço, é o anzol...
Eu me lembrei das ÁGUAS DE MARÇO...apesar da Primavera catastrófica que agita o planeta. Gostei muito... bejosssss