17 de agosto de 2009

Nada é importante

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Há um tempo atrás escrevi uma crônica em que falava das minhas importâncias. Havia passado por um período de sufoco que me encostou na parede para uma revisão geral de conceitos e valores, e acabei colocando tudo o que concluí num texto. Temos sempre o ímpeto de achar que somos donos exclusivos dos nossos destinos, mas em algum momento a vida nos mostra que temos um sócio. E o tal sócio (que cada um pode dar o nome que quiser) se mostra implacável na maioria das vezes. E é bom. E é produtivo, tenho que admitir, apesar da difícil aceitação.

Da última vez que fui repentinamente interrompida, matei e ressucitei muitos sentimentos, muitas lembranças, muitas mágoas, muitas saudades. Justamente por considerar aquele momento uma oportunidade, tirei dela revelações interessantes, que já viviam em mim, em estado latente, só faltava deixá-las transbordar. E tratei de definir o que para mim era realmente importante ou desimportante. Uma lista considerável, da qual recupero alguns itens: minha paz interior, minha casa, meu filho, meu amor, família, bichos, plantas, saúde, amigos, trabalho, livros, sexo com amor, dormir bem, honestidade, gozar, fazer o que gosto, ter o direito de dar importância ao que considero importante.

Meu sócio resolveu dar as caras de novo, desta vez ainda mais implacável. E falou bem na minha cara que a revisão anterior ainda deixava a desejar e que era urgente uma nova parada para reflexão. Era preciso limpar mais, depurar mais, mergulhar ainda mais fundo. Alguns meses se passaram; outros virão pela frente. E uma descoberta fantástica já se materializou: nada é importante. Viver, isso sim, importa. Apenas viver, valorizando cada minutinho, cada respiro, cada piscar de olhos, cada pulsar do coração. Viver.

E se tenho consciência plena, livre, leve e solta sobre essa conclusão, minhas importâncias ganham real sentido, pois passo a respeitar ainda mais minha estada nessa existência. Um aprendizado um tanto doloroso, não nego, mas necessário, com toda a certeza.


Originalmente publicado na minha coluna no jornal Volta Cultural
Edição de agosto/2009
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2 comentários:

Eliane disse...

GI, EMOCIONANTE ESTE TEXTO!!!
LINDO DEMAIS... UM CHAMADO A REFLEXÃO!

POESIA EM VOLTA disse...

Importâncias...bom de ler!