12 de agosto de 2009

De pernas pra cima

Eu mesma quase não acredito no que fiz, mas fiz. Ou melhor, não fiz. Hoje acordei às 11 horas, saí do meu quarto para a sala, me abanquei no sofá com meu filho e dele só saí algumas vezes para dar uma olhadinha na internet. Algum tempo atrás, a uma hora dessas estaria me corroendo de culpa, pois não conseguiria me conceber mergulhada em tamanho ócio. Falta pouco para terminar o dia e não pude me furtar a um ultimato: faça algo de útil agora, pelo menos escreva alguma bobagem. Cá estou.

Nesses mais recentes dias, em que tenho me concedido a oportunidade de ficar à toa, curtindo o refúgio da gripe, digo que estou madame, literalmente de pernas pra cima. Já que não posso me dar ao desfrute de permenecer em locais fechados, aglomerados, já que não posso sair por aí pegando nas mãos de qualquer um, o grande programa é me estabelecer no sofá, diante da TV, assistindo a toda a programação disponível. Eu mesma me dobro de rir ao dizer que até a Senhora do Destino acompanho capítulo por capítulo. Meu Deus, a que ponto cheguei!

Li muito tempo atrás uma crônica do Affonso Romano de Sant’anna, na qual ele contava de uma tarde em que se deu o direito de dar uma parada na vida pra curtir vento na cara, em cima de uma pedra, na beira da praia, sem culpa. Sinceramente, acho que não me culparia por isso, se morasse perto do mar. Mas tenho achado interessante não fazer nada e o risco é eu acabar gostando disso, já pensou? Minha chefe que não me leia...

Na verdade aprendi a curtir esses dias de repouso forçado, ao invés de me preocupar com meu trabalho parado ou com tantas e tantas coisas que deveria estar fazendo e não faço. Não porque não possa. Mas porque seria negligente. Tenho cirurgia marcada para breve, ainda me recupero da última sessão de quimioterapia, e por isso não posso ficar por aí caçando vírus. Melhor mesmo é minha caminha quente, meu sofá aconchegante, minha cozinha que apenas passo por ela para chegar ao quintal, espaço que mais adoro na minha casa. Mas hoje, como fez um frio da p*.., melhor mesmo foi dividir a sala com o filhote.

A único fato diferente do dia foi a visita do Jader, ex-aluno e hoje amigo. Visita breve, de beija-flor, mas muito auspiciosa, como dizem os indianos da novela (que também assisto quase que religiosamente). Como é bom conversar com esse povo cheio de planos, projetos, ideias novas! Sou assim o tempo todo. Posso não realizar metade do que planejo, mas adoro ficar sacudindo meus neurônios em busca de algo novo pra fazer. E conversar durante uns 30 minutos com o Jader já me movimentou como se eu tivesse trabalhado o dia todo.

O Jader saiu, chegou o motoqueiro com o Yakisoba. Super prato quentinho para o frio que faz aqui onde moro. E nós no sofá, segurando a cumbuca numa mão, hachi na outra mão, copo no chão. Bom. Muito bom mesmo. Marrom glacê de sobremesa e computador de novo. Gente, olha que programão. Nem aos domingos fico tão sem fazer nada. Por isso escrevo.

E daqui a pouco, algumas páginas da Piauí me embalam o sono dos anjos. Amanhã? Ainda não sei. Vou pensar nisso quando acordar. Êêê, vidão!

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7 comentários:

Genis disse...

É Giovana... estou como vc... de pernas pro ar...
No começo resisti, ficava caçando coisas pra fazer, mas agora acabei aceitando a idéia e só faço mesmo é dormir e ver TV!
Adorei o que escreveu. Dei boas risadas, pois me identifiquei muito.
Bjs querida e que essa gripe vá embora logo!!!!

POESIA EM VOLTA disse...

Que bom ver o sofá quentinho pra promover esse encontro. Que bom que você juntou o lado bom com o lado excelente e nos deu este texto. Beijo

Neide disse...

Nem que seja "à força" você tem que também passar por isso...rsrsrs...o ócio neste caso, é construtor não é mesmo??!, faz parte da recuperação de seu organismo, isso é muito bom!!tens desculpas plausível para isso, hehehe....então aproveite e relaxe mesmo!!e goze também,(M.S.) porque não? da companhia de seu filhote!!kkkk..
Beijos...te Amoooo.........Neide.

Lesliane disse...

Nossaaaaaa, sinceramente visualizei cada frase kakakaka...

Ah, tenho uma proposta quase indecenete para te fazer!

O grande barato do ócio para as pessoas que são elétricas é que através dele criamos e recriamos projetos fantásticos...

Esse FDS fiz isso... o mundo tava caindo aqui, mas apertei a tecla F fui para Araruama curtir minha vozinha que está com Mal de Alzheimer ue ha 4 meses não a vejo... (td bem, foi um choque qdo ela não se lembrou de mim, até então a única q ela não tinha esquecido...) Passado o trauma, a curti da mesma forma com se ela estivesse 100% boa... e daí me veio a idéia dessa tal proposta.

bjossssss
Amei o texto.

ablendlema disse...

Amiga,sinceramente, não me lembro qual foi a ultima vez que sentei no sofá da minha casa. Não tenho tempo, chego tarde em casa, entro pela cozinha, raramente vou na sala.Também estou precisando ficar de pernas pra cima. Ainda vou arrumar um tempo pra ir ate ai sentar no seu sofá. Adorei! Te adoro!Bjs

Cintia disse...

vc está praticando o nadismo, uma coisa que muitas pessoas buscam desesperadamente fazer hj em dia e não conseguem. eu sempre me permito isso, em casa, principalmente aos sabados depois do almoço!
acho que qdo tudo voltar ao normal vc vai sentir falta! uma dica: aprenda a fazer disso um hábito!!!
beijos

Néia Berbert disse...

Amiga,sinceramente, não me lembro qual foi a ultima vez que sentei no sofá da minha casa. Não tenho tempo, chego tarde em casa, entro pela cozinha, raramente vou na sala.Também estou precisando ficar de pernas pra cima. Ainda vou arrumar um tempo pra ir ate ai sentar no seu sofá. Adorei! Te adoro!Bjs