7 de outubro de 2009

Não estou aberta à visitação

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Desde que operei, há 40 dias, tenho recebido telefonemas e emails de pessoas, ou me pedindo desculpas por não terem me visitado, ou me pedindo para vir à minha casa me ver.

É cultural esse negócio de fazer visitas a ‘doentes’, né? E estranho. Explico porque penso assim: pouquíssimas pessoas fazem visitas a amigos quando esses estão com a saúde em dia. Uma colega que mal fala comigo há cerca de 20 anos chegou a dizer que me traria uma broa. Eu não como broa!

O que me difere dos normalmente visitados é que não estou e nunca estive doente. Pelo menos em nenhum momento me senti assim, com a saúde realmente debilitada. Tive, sim, um tumor localizado na mama esquerda, que em nenhum momento me derrubou. Fiz quimioterapia, passei dias de escuridão, operei, mas não fiquei mutilada, minha mama está aqui, inteira.

Não estou, portanto, doente, minha saúde está excelente, meu estado geral é ótimo, estou trabalhando feito uma máquina, enfim, não estou aberta à visitação; não para quem espera ver uma doente. Quero, sim, continuar recebendo emails carinhosos, telefonemas adoráveis, sem aquele tom de urubu à espreita...

Parece meio azeda a forma que encontrei de expressar o que sinto em relação a esse assunto, mas não há outro jeito de dizer isso. Minha irmã, que recentemente passou por um problema de saúde grave e hoje está plenamente recuperada, também teve essa mesma sensação. “As pessoas nos procuram com uma certa pena, como se a gente tivesse morrendo, e nos falam com uma voz consternada. Que é issooo? Estou viva e muito viva!” Eu também.

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4 comentários:

POESIA EM VOLTA disse...

Oba! Viva a Giovana!

Cintia disse...

Hehehehe, eu sempre achei que um dia você iria postar algo sobre esse assunto. E até que demorou.

Simone Couto Kaplan disse...

Querida, visita cansa. Eu aqui que o diga.

Bom saber que estea bem.

Bjs,
Simone

Vani disse...

hahahah
Giovana, pede a pessoa para deixar a Broa aqui em casa, eu Amo!!!!!
Beijos