21 de junho de 2009

Hospital ou quartel do exército

A primeira e única vez em que fiquei internada foi há 11 anos, quando nasceu meu filho. Internada mesmo, de pernoitar em hospital. Nessa ocasião mal deu pra observar o que rolava à minha volta, devido aos efeitos da anestesia, mais as injeções de analgésicos. Meu filho nasceu às 20h40 e depois que retornei ao quarto dormi até o dia seguinte.

Essa semana precisei passar por uma breve internação. 24 horas de soro para me recuperar de uma desidratação causada pela quimioterapia. Apesar da prostração, das dores no corpo e da moleza nas pernas, a cabeça estava funcionando muito bem, portanto, não só observei, como senti o que é ficar internada.

Caraca! Por isso somos chamados de pacientes. Não porque somos pacientes; porque somos obrigados a ter toda a paciência do mundo. A pergunta é: por que temos que nos submeter a qualquer tipo de coisa só por estarmos, digamos, doentes?

Pra começar, cheguei ao hospital às 11h30 e aguardei até às 13 horas para conseguir subir ao quarto. Uma hora e meia na recepção do hospital, sem almoçar, aguardando uma burocracia que não nos explicam exatamente do que se trata. Tudo bem; a gente espera.

Subo ao quarto. Aguardo. Meu médico, conforme combinado, vem me ver. Faz todo o detalhamento do que vai ocorrer até o dia seguinte, ou seja, soro, analgésicos, repouso, e vai embora.

Caraca, de novo! O relógio marcou 15 horas e nada de soro, de remédios, de alimentação e nem água! E a paciente, pacientemente ali, esperando. Estou sendo sincera, não sei se esse tipo de procedimento é normal. Como disse, não tenho experiência em internações, mas que achei esquisito, ah, isso eu achei.

E mal sabia que o pior ainda estava por vir.

A quimioterapia me tira o sono. Tomo uma medicação específica para me ajudar a dormir, mas mesmo assim as noites têm sido longas. Quando pego no sono, ou durmo pouquíssimo, ou tiro breves cochilos. Meu melhor horário pra dormir ultimamente tem sido de manhã, acho que de cansaço. Pois bem. Ainda estava escuro, eu finalmente conseguira pegar no sono, quando levo um baita susto. A profissional de enfermagem entra no quarto como se fosse um sargento acordando seus soldados num quartel do exército. Abre a porta abruptamente, acende a luz na minha cara, diz um bom dia absurdamente alto. Meu Deus, estou mesmo num hospital, internada? Não seria mais adequado bater de leve na porta, acender a luminária e falar baixo?

Sem dizer mais nada ela mediu minha pressão, a minha temperatura e me aplicou três injeções. Eu ainda estava meio atordoada. Perguntei pelas horas e ela me respondeu, ríspida: “Quase seis.” E quando saiu pretendia deixar a luz acesa, se eu não pedisse, educadamente: “apaga, que eu quero dormir”. Minha irmã disse que o risco, nesse momento, é o paciente estar com uma arma embaixo do travesseiro. Coitada da moça...

É. Repouso se faz em casa, disse também minha irmã. Logo após o almoço fui liberada pra dormir na minha caminha, que é o local adequado pra isso. Mas só de lembrar que ainda tenho uma cirurgia pra fazer, sinto arrepios.

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6 comentários:

Anônimo disse...

kakakaka desculpe pelas risadas, a culpra é toda sua!!! CAraca! como vc pode fazer de um momento tragico um fato cômico???
Já pensou em escrever esquetes??? Fica aí a deixa (uma atriz para encená-los vc já tem...)

bjosssss
Adorei a arma debaixo do travesseiro. rsss

cintia sibucs disse...

é um descaso! por isso dizem que enfermeiras são seres desajustados...
bjs

Anônimo disse...

Giovana,
As pessoas que a gente gosta não deveriam ter que passar por isso. Os profissionais de saúde ficam endurecidos, nem parecem humanos. Lidam o dia todo com dor e sofrimento, ficam gélidos diante disso.Deveriam ser mais humanizados os hospitais e estes profissionais. Faltam a eles a filosofia, a antropologia, a sociologia, a História. As Ciências Humanas. Eu sou péssima companhia de hospital, pois falo o que penso com médicos e enfermeiros, pergunto e clamo pelo ser humano que sei que eles são. Como você, fiquei apenas 24 horas no hospital para ter Alice, sem anestesia. Então, estava eu completamente acordadona lá nas 24 horas, é um experiência muito louca, a paciência. Bom, mas não somos diferentes de ninguém, né? Quanta gente fica dias, dias e dias. Ainda bem que você já tá aí na sua casa, com o cheiro e a liberdade que só a casa da gente tem. O hospital, já passou.
Beijos e saudades. Andréa Auad

Claudineia do Amaral disse...

Gi,
Fico chocada a cada vez que tomo conhecimento que uma pessoa que gosto enfrentam doenças. Gostaria que soubesse que torço muito por você e sei que sairá dessa. E dando risadas, como mostra neste texto.
Você é muito guerreira. E Deus gosta de guerreiros. Se Ele está permitindo que passe por isso, é porque sabe da sua força. Ele nunca nos dá provas além do que podemos suportar.
Fique firme e não deixe de nos fazer rir com suas experiências, pois isso nos encoraja a enfrentarmos a vida de frente, assim como você.
Um grande beijo!

Cessel disse...

Passei por uma internação (5 dias) há uns três meses e tive sensações parecidas com a sua. Demora para subir ao quarto e enfermeiras invadindo o local a qualquer hora da noite e, o pior, levando estagiárias pra observar o trabalho. Pior mesmo só ficar com aquele soro espetado o tempo todo.

A única diferença é que as enfermeiras que cuidaram de mim eram muito simpática.

Flávia disse...

Acho que sempre que isto ocorrer os pacientes deveriam fazer reclamações, para que o hospital possa apurar e melhorar seu atendimento. Trabalho em hospital, com pacientes internados. Sei que as reclamações são consideradas chatas pela maioria das pessoas que trabalha comigo, mas são necessárias. Espero que não ocorra novamente com você, mas verifique se não há ouvidoria disponível.