8 de outubro de 2007

Distantes

Minha vizinha está grávida. De seis meses. E só agora fiquei sabendo. Dividimos as paredes em casas geminadas, mas quase não nos vemos por conta dos horários de trabalho. Quando a encontrei, dias atrás, levei um susto com aquela barriga, principalmente por ser ela uma atleta, que sempre exibiu aquele corpo torneado sonhado por toda mulher.

Essa notícia me fez pensar no quanto vivemos distantes das pessoas mais próximas nesses dias corridos. Acordo cedo, saio para trabalhar, chego já noite e emburaco em casa, onde também tenho os meus afazeres de mãe e dona de casa (quase) dedicada. Portanto, mal vejo meus vizinhos; muito menos tomo ciência do que andam fazendo de suas vidas. A maioria deles nem conheço.

Até pessoas da minha família, que moram na mesma cidade, custo a ver. São todos assoberbados de atividades, que para encontrá-los é preciso consultar agenda. Inclusive minha mãe. Aos 74 anos se queixa da falta dias em sua semana. E ficamos sabendo uns sobre os outros por telefone, quando sobram minutos para um bate-papo rápido.

Já faz alguns dias que não vejo minha vizinha. Mas tenho ouvido a movimentação de preparo da casa para a chegada da bebê. Soube o sexo assim, sem querer. Da minha cama ouvi uma conversa dela com uma visita amiga. Estavam excitadíssimas, conferindo as peças do enxoval. “Olha que lindinho esse vestido, ela vai ficar uma gracinha, né?”

No último sábado cheguei em casa à tarde e tentei tirar um cochilo. Nada feito. Móveis são arrastados, gente conversando, e uma furadeira insistente rasgando meu tão desejado silêncio para uma soneca rápida. Talvez nem receba a notícia do nascimento da bebê, devido à ‘distância’, mas já imagino minha participação auditiva das choradeiras noturnas, dos gritos e gemidos de cólica, da mãe marinheira-de-primeira-viagem desesperada sem saber dar conta.

Também vou perder o sono, fazer o quê? Ainda tenho um tempo para pensar se vou ficar apenas escutando os intermináveis choros ou se vou levantar e bater lá para oferecer ajuda. Afinal já passei por isso e garanto que não é nada fácil. Não custa nada ser solidário nesses momentos. E já que moramos coladas, “to aí”, de prontidão, para tentar vencer a ‘distância’.
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3 comentários:

Anônimo disse...

Oi Giovana!
Engraçado, eu também estive pensando muito a este repeito neste final de semana. Como estamos longe das pessoas! Fiquei mal demais desde a sexta-feira quando recebi a notícia da morte do meu amigo Anderson, rapaz bacana que trabalhou comigo. É mesmo triste estarmos tão perto e tão longe das pessoas que gostamos e vê-las partir para sempre sem ao menos uma despedida. Logo liguei para amigos que não vejo com frequência para tentar achar um tempinho em nossas agendas. Esta falta de tempo assusta a gente.
Beijos
JU

rildobarros disse...

Eu sei o que é isso, não encontro tempo para nada..... Sonho com mais tempo, para fazer mais coisas, mas aí acho que continuaria sem tempo. Então só me restar tentar encaixar minhas prioridades nas 24 horas que tenho.

cintia sibucs disse...

que coisa... eu ia falar exatamente sobre a mesma situação do comentário anterior ao meu! sobre o anderson, meu colega de trabalho nos tempos da agencia zênite. pessoa maravilhosa.
eu estava no local onde aconteceu o acidente mas ñ imaginava q a pessoa em questão seria ele! fui saber uma semana depois, qdo ele ñ resistiu e morreu.
isso nos assusta mesmo, a falta de convivio diário com pessoas queridas.
hj em dia com a velocidade das informações e dos acontecimentos, acabamos por acompanhar essa velocidade e nos resta pouco tempo para curtir as coisas que sempre estão ali, à nossa disposição: a amizade, o sol, o amor, a família.
por isso q eu digo: "por mais atrasada q eu esteja, sempre páro para fazer um cafuné no meu cachorro." srrsrsr! assim a gente acostuma a ter tempo pras coisas boas.
comecemos aos poucos, um dia isso vira rotina! q bom.

bjs, gi!
seu blog tá lindo
=]