25 de abril de 2011

Aspectos da infelicidade


Olhe ao seu lado; veja as pessoas a sua volta. Se estiver sozinho, apenas pense: quantas pessoas infelizes você conhece? Não consegue pensar em ninguém? Pois então vou refrescar sua memória para que você consiga identificar pelo menos alguns aspectos da infelicidade. Se dizem por aí que não podemos ser felizes porque a tal felicidade não seria deste mundo, o que há de gente que opta por ser definitivamente infeliz está lotando nossos arredores.

Uma das principais faces da infelicidade é a falsidade. Há pessoas que parecem  amigas, solidárias, batalhadoras, guerreiras. Suas atitudes e seu dia a dia quase nos provam que são pessoas que caminham com altivez, que acreditam em si mesmas e que ajudam outras pessoas a serem como elas. Engano. Atrás deste comportamento falso há pessoas invejosas. Fazem o que lhes compete com pressa e ansiedade, primeiro para mostrar que chegam na frente e, segundo, para sobrar tempo para estar ao lado do outro, não por companhia, mas para olhar o que está fazendo e se roer por dentro.

São pessoas infelizes as que exploram outras pessoas; não conseguem ser infelizes sozinhas. Por onde passam, por onde vivem ou convivem, deixam um rastro de incômodo às pessoas felizes. Precisam levar uma legião com elas. Fazem do ambiente de trabalho um local apertado, sufocante, de ar irrespirável. Têm atitudes claramente repreensíveis, mas riem dos colegas quando são surpreendidos em atos ilícitos, para eles, mais que legítimos. São infelizes as pessoas descrentes e muitas vezes, acabam doentes, sem saber que sua doença é pura infelicidade.

Pessoas infelizes podem trabalhar duro para crescer profissionalmente, ganhar dinheiro, viajar para o exterior, criar e educar os filhos. Podem ser empregados, donos de empresas, ter funcionários. Compram seus bens, fazem seus negócios e contatos com muitas pessoas. Podem até passar despercebidas no dia a dia corrido, mas com elas mesmas sempre há um problema, um vazio que não conseguem preencher, insegurança, tristeza, infelicidade.

São infelizes pessoas que querem mais e fazem pouco. Podem ser bonitas fisicamente, podem ser competentes, amadas, consideradas, respeitadas. Mas não alcançam sentimentos elevados, sentimentos reais, que valem realmente a pena. A amargura que cultivam internamente as cega e podem transformá-las em pessoas vis, venais, más, cruéis, e cada vez mais infelizes.

Não sei se sinto pena ou se acho graça de certas pessoas infelizes.

Pena pelo simples motivo de serem infelizes, por não verem que à frente do nariz e que fora de seus umbigos existe vida. Por não saberem que suas forças se esvaem, dia após dia, no afã de fazerem mal a si mesmas, alimentando o lobo feroz da inveja. É de dar dó o quanto estas pessoas precisam de ajuda, de psicólogo, de psiquiatra, de mãe, de amigo. É claramente visível até para os não íntimos que há um buraco dentro destas pessoas, que precisa ser preenchido pelo ser, porque o ter não basta. Dá pena mesmo, porque pessoas infelizes não são livres. Elas mesmas erguem as barras de ferro que as cercarão a vida inteira.

Também posso achar graça de algumas pessoas infelizes. Sim, porque se colocam em situações mesmo risíveis. Há pessoas que são tão infelizes, mas tão infelizes, que investem tempo precioso dos seus dias a criar formas de prejudicar os outros, ou a alguém em especial. Sentir inveja não basta. É preciso bolar planos de destruição contra aquele que o incomoda ou ameaça (mesmo que tal ameaça somente a pessoa infeliz sinta). E eu rio. Porque a pessoa infeliz que se presta a este papel, mais se parece vilão de folhetim, daqueles bem pobres de espírito, que passam todos os capítulos a projetar algum ardil contra seu desafeto e no final, morre, fica louco ou suicida. Mesmo quando se dá bem no fim da história, tem que ir embora pra muito longe, ser infeliz em outras bandas, para deixar em paz quem quer ser feliz por aqui.

Pessoas infelizes precisam da paciência e da compreensão alheia. Precisam, mesmo, de compaixão, de prece. Se possível, precisam ser esclarecidas sobre o angu de caroço que é ser infeliz por opção, sobre o sofrimento a que se submetem, enquanto o mundo busca a felicidade e elas se afundam na amargura. E se depois de tudo isso quiserem permanecer na escuridão deste buraco sem fundo que é ser infeliz, que sejam deixadas pra lá. Que Deus tenha piedade.
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6 comentários:

Carol Cunha disse...

É por isso que disse que a felicidade nos faz parecer levianos, irresponsáveis!! Num mundo onde há tantos males, estar feliz pode ser politicamente incorreto. Donde se explica a inveja, doença que acomete quem não enxerga a beleza - simples - da vida e que busca na infelicidade da crítica, no excesso de julgamento, um alento para sua propria dor, para sua incompreensão sobre si mesmo.

Albucacys disse...

Sim Giovana, ser infeliz é uma das características do orgulhoso e egoísta.
Quando se diz que a "felicidade não é deste mundo", para os que veem alé da letra, alude-se a felicidade eterna, que está em fazer o bem pelo bem, em pensar no bem do próximo antes do seu próprio.
É, justamente, observando essas pessoas e comparando-as com tantas outras que, apesar de também serem "infelizes", esforçam-se por reformar-se, por ver o lado positivo e bom de tudo e, principalmente, em contribuir para que tudo fique melhor, dê certo, e colabore com o bem estar de todos.
Certamente, todos conhecemos também esse tipo de pessoas.
Assim, valorize-mo-las, contribuindo, de alguma forma, com aquilo que fazem, seja o que for.
Creio que assim, pelos exemplos, pelas atitudes, posturas e ações bem definidas estaremos fazendo um mundo melhor.

Luciano Neto disse...

Giovana,

Eu acredito que existem pessoas que SÃO FELIZES e pessoas que NÃO SÃO FELIZES. Por exemplo, Janis NÃO ERA feliz. Ela podia ter momentos de felicidade mas ela NÃO ERA uma pessoa feliz. De quê adianta ter momentos de alegria, e não ser feliz de fato? Então essa pessoa não é feliz, concorda? Confundi muito? rsrs

Eu conheço pessoas bem próximas a mim que acham que ser feliz é ter riqueza e poder. Felicidade é realmente algo muito subjetivo, pois cada um enxerga e "sente" a felicidade de uma forma diferente. Para mim, ser feliz é ter paz de espírito, estar bem comigo mesmo, mas como estar bem nesse mundo? Como estar bem comigo mesmo? É muito complicada essa questão. Desculpa se não me fiz entender muito bem, bebi uns copinhos de vinho..rsrsrs...excelente texto!

Beijão!

c i n t i a disse...

Acho que a felicidade incomoda os outros, não é? Devemos ser felizes mas sempre dar uma reclamadinha pra não atrair olhares invejosos.. Rsrsrsrs!

Conheço pessoas assim, que se alegram em atrapalhar as outras e esperam o momento certo para "atacar" e ver o circo pegar fogo. Sinceramente eu achava que isso era coisa de novela, coisa de filme. Mas quando me deparo com essas situações de rancor e vingança me dá muita tristeza. Porque eu (boba!) sempre acho que as pessoas são boas e sinceras. Aff... Tenho muito o que aprender nessa vida.

Adorei o texto. Muito bem inspirado!

Ecochato disse...

Infelizes! Ah, esses seres maravilhosos que habitam nosso dia a dia.
Viva esses seres do mal que até nos alegram por vezes, por nos mostrarem como não agir diante de certas ocasiões. Eles nos divertem, sim. Às vezes me pego rindo deles e de como conseguem suportar viver com tamanho rancor dentro deles.
E tem alguns que trabalham, crescem profissionalmente, educam filhos, mas não vivem! Não conseguem deixar de farejar trabalho e puxa-saquismo onde quer que vão.
E assim vão vivendo, vão levando a vida com uma reclamaçãozinha aqui e outra ali.
Nada dá certo, tudo quebra, estraga e não funciona na mão deles. Será que é porque atraem os pensamentos que emitem? Rancor, inveja, tristeza, orgulho... É a lei da atração. Tudo o que vai, volta.

Cesar Romero disse...

Giovana.
Seu texto nos faz aferir muito do que percebemos ao nosso redor. O tempo todo. O comentário da Carol Cunha acerta em cheio; "a felicidade nos faz parecer levianos, irresponsáveis." É isso.

Bjins.