17 de fevereiro de 2009

A chatice do piii


- Pi-pi-pi-pi
- Oi!
- Piii
- Amor, sou eu, você tá onde?
- Piii
- Oi querido, tô no restaurante. Vou almoçar rapidinho e já chego aí. Pegou as crianças?
- Piii
- Claro que peguei. Você acha que ia esquecer as crianças? Tô te esperando.
- Piii
- Do jeito que você é desligado, poderia bem mesmo esquecer meus filhos na escola.
- Piii
- Seus filhos também são meus filhos!
- Piii
- Ah! Vê se não atrapalha meu almoço.
- Piii
- Foi você quem pediu pra ligar pra avisar que as crianças já estavam comigo, m.
- Piii
- Vá a m. você!!
- Piii


Esta é a reprodução quase na íntegra de uma conversa ouvida recentemente em um restaurante. É uma cena que se torna cada vez mais comum, desde que uma extensa faixa da população resolveu aderir àquele aparelho de celular que também é rádio e que por isso faz piii nos nossos ouvidos, sempre seguido de uma conversa no odioso modo “viva voz”, e normalmente aos brados. Você, que está acompanhado e batendo um papo super agradável, se estiver muito perto, é praticamente obrigado a silenciar, até que a criatura ao lado ligue o desconfiômetro. E raramente acontece.

Porque será que todos os que possuem esse aparelhinho enjoado pensam que devem gritar? Quem está escutando a conversa, sem ser perguntado se está a fim, se sente ao lado de um megafone. Isso em qualquer lugar, seja no restaurante, no elevador, no ônibus, na fila do banco e até no banheiro. O aparelhinho se diz moderno, mas faz a maioria de seus usuários esquecer as regras da boa educação pelo simples prazer de se exibir com o tal pi-pi-pi-pi.

E como essas conversas duram, né gente? Dia desses um amigo meu me contou sobre um cara que foi de Volta Redonda ao Rio, numa viagem de ônibus – cerca de duas horas – falando abertamente no seu aparelho que faz piii. “Deu vontade de levantar, tomar aquela porcaria da mão dele e jogar pela janela”. Total falta de noção do próprio perímetro. O que deveria ser uma ferramenta, um serviço para agilizar o dia-a-dia de muitos profissionais, acabou virando motivo de cara feia e narizes torcidos por todos os cantos, porque é impossível não notar alguém aos berros nos malditos radinhos.

Para quem não sabe, o aparelho oferece a função “normal”, na qual pode-se usá-lo como um telefone celular comum, mas vejo que muitos de seus usuários acham que dá status mostrar pra todo o mundo que possuem um aparelhinho que faz piii. E isso é muito imbecil, pois o que atrai clientes para o serviço desta operadora é justamente a tarifa mais barata. Portanto, para os que se dizem chiques, melhor mesmo é esconder o pi-pi-pi-pi. Nós, pobres usuários de simples celulares, agradecemos.


Infelizmente, esse é um dos comportamentos gerados pela modernização (?) das relações, que agora se utilizam das tecnologias para se comunicar com maior rapidez. E as pessoas, em geral, não estão preparadas. Atendem ao celular quando estão conversando com alguém (custa retornar depois?). Ninguém desliga o telefone quando está numa reunião, no cinema, no teatro, numa palestra. No escritório, o cara levanta para ir ao banheiro e, logo, o aparelho começa a tocar Beijar na Boca, da Cláudia Leite, para toda a sala ouvir, e o cara demooora. Você está conversando com um amigo e de repente ele saca o celular do bolso e começa a teclar um torpedo, sem lhe pedir licença, assim mesmo, na cara de pau, e você ali, com cara de “tudo bem, eu espero”. E ainda tem o usuário do aparelhinho que faz piii, que além de mal educado e inconveniente, pensa que é importante, só porque tem um aparelhinho que faz piii. Fala sério!
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6 comentários:

Frávia, a dona do brog disse...

Eu tenho um aparelhinho que faz piiii. Gosto dele... me quebra altos galhos. A parte boa é que eu quase não o utilizo no modo piiii... ele sempre fica no modo telefone. Desse jeito, não atrapalho ninguém... rs.
Esse é meu princípio quanto a tudo que chama a atenção... simplesmente porque eu já sou desastrada e falo alto por natureza... num aparelhinho que faz piii, corro risco de alguém me tomar e jogar pela janela qualquer hora dessas... rsrsrsrs.

Fernando de Barros disse...

Gio
Sabado eu almoçava com a minha esposa em um restaurante na Voldac quando um cara com um radinho desse falava no mesmo.
É irritante. Eu tive vontade de fazer que nem seu amigo, mas a minha vingança foi melhor.
Ele acabou de comer, saiu do restaurante e... esqueceu o radio na mesa.
QUE ALEGRIA!!!!
Pena que ele voltou e pegou. Sabado devo encontrar com ele de novo (snif)
Abraços e para terminar um beijo para a Fravia

elaine bertone disse...

Não posso negar que o texto é engraçado. Eu ainda não tive o desprazer de topar com um desses aparelhos pela frente... O fato é que a maioria das pessoas não se tocam de que a poluição sonora é um desrepeito, como qualquer outra poluição... Tudo o que causa ruído atrapalha a comunicação seja a sua própria como a dos que estão a sua volta... O fato é que as pessoas estão perdendo a noção de harmonia...

Lincoln disse...

,,,,hilário!!!

bj
L

cintia sibucs disse...

kkkk! muito bom esse texto!
ai, me lembro qdo eu tinha que andar com aquele rádio do Conexão à tiracolo, nunca me acostumei. um dia ele "chamou" no meio da aula! e eu não podia desligar pq sempre tinha alguem da externa precisando de informação.
argh!

POESIA EM VOLTA disse...

Eita Giovana! Avante e sempre de bom humor! Seus textos são um show!