4 de julho de 2008

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Circo legal não tem animal


Gente empoleirada, num clique de Cessel Lacerda

O Circo Nacional da China, que se apresentou em Volta Redonda no último final de semana, reforçou para mim algo que repito há anos: circo legal não tem animal. Ainda na infância sentia que algo me incomodava nos espetáculos de circo em que cães, macacos, elefantes eram subjugados, obrigados a obedecer ordens de forma humilhante.

Estive com meu filho na noite da estréia do Circo Nacional da China, na quinta, dia 26. Nunca havia assistido a algo parecido, a não ser pela televisão. A arte circense, quando focada na atuação do artista, na sua criatividade e potencialidade corporal, é simplesmente digna de ser aplaudida de pé.

Não há exploração da fragilidade animal; não há animais selvagens ou silvestres submetidos a dolorosas sessões de tortura; não há bichos presos em jaulas ínfimas e fétidas; não há animais sendo obrigados a fazerem o que não nasceram para fazer.

“É magia sem mágicos”, como definiu meu filho, de apenas dez anos. E é verdade. É a expressão pura da capacidade artística circense, reunindo flexibilidade, precisão, beleza, sutileza, criatividade, equilíbrio, sem rebuscamentos. Tudo isso acompanhado por uma trilha sonora impecável. Enfim, arte pura, sem doutrinadores, domadores, amestradores e, sim, artistas. Outros circos conhecidos e respeitados internacionalmente também não utilizam animais em seus espetáculos, valorizando tão somente o artista humano, como o nacional Circo Spacial e o canadense Cirque du Soleil. Estes são exemplos de que a verdadeira arte vai muito além da imaginação.

Segundo a advogada Renata de Freitas Martins, "é inquestionável que lugar de animal silvestre é na natureza, seu habitat natural, e que a diversão humana, sadia e inteligente, independe do sofrimento de outrem, afinal de contas, artistas de circos sem animais são muito criativos, talentosos e capazes de entreter seu público". No artigo A cruel utilização de animais em circos, publicado no site da ONG Sentiens Defesa Animal, Renata retorna há três séculos antes de Cristo, ao lembrar dos gladiadores que exercitavam a força e a brutalidade nas batalhas de arenas. Diversos animais eram soltos para travar lutas sangrentas com os humanos, cujo objetivo era mostrar sua superioridade. “Portanto, nenhum valor cultural ou artístico pode ser atribuído a esta prática”, dia a advogada, em seu artigo.

No Estado do Rio a exibição de animais em circo está proibida desde 2005. Os Estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Sul também não permitem, além de mais 30 municípios em todo o país. No último dia 3, a justiça proibiu o Le Cirque de exibir animais na cidade de São José do Campos (SP). Aos poucos o Brasil segue a tendência mundial de substituir animais por arte.

Oportunidades como esta, de poder assistir a um espetáculo como o do Circo Nacional da China, colocam o público frente a frente com esta realidade, mostram à sociedade que a arte humana é de tirar o fôlego, sem nenhum bicho por perto levantando a patinha, jogando futebol, andando de bicicleta, ou saltando por arcos de fogo. Em circos como o da China os próprios artistas nos provam que lugar de animal é bem longe dos palcos ou dos picadeiros.

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Um comentário:

Claudio Brites disse...

Olá doente por crônica, como vai? Que bom que compartilhou da minha latinha, rs... compartilhemos nossos espaço, adicionei seu blog a minha bloglândia... e vamos nos falando.
t+