19 de novembro de 2007

Que venha o Natal



É inevitável. Todo ano, nesta mesma época, escrevo algumas linhas sobre Natal, fim do ano, meus sentimentos em relação a esse momento turbulento do nosso calendário. Já me confessei avessa a tudo isso. Há muito tempo deixei de gostar das festas natalinas, da própria ceia familiar também. Quando entra o mês de novembro e ouço os conhecidíssimos jingles das grandes lojas, me arrepio. Pronto. Vai começar tudo de novo.

Já não consigo sentir o tal espírito de Natal que todo o mundo fala. Claro, sei que ele existe; é uma questão de energia. Mas, a meu ver, ele ficou esquecido um tempo atrás desse tempo que vivemos hoje. Do consumismo psicopatológico, das confraternizações regadas a litros de bebida alcoólica e às conseqüentes centenas de acidentes, muitos deles fatais. Isso é espírito natalino?

Já não encontro mais paciência para sair de casa dirigindo meu carro (e olha que moro em cidade pequena). É trânsito lento, todos querendo encontrar vaga no mesmo lugar na área central da cidade, buzina pra todo lado, motorista nervozinho (aquele que sempre acha que sua pressa é maior que a dos outros), esbarra-esbarra dentro do shopping, fila em restaurante. Também não vejo espírito natalino nessa efervescência.

Quem me lê poderá dizer que sou uma chata, fria e insensível. Talvez. Tornei-me exigente, acredito. Aprendi desde pequena qual o verdadeiro sentido do Natal, o porquê dele existir e creio que isso não mudou. As pessoas é que mudaram, exacerbaram a festa, que deveria ser meditativa e fraterna, transformando-a muitas vezes em um carnaval consumista. Só se pensa em presente, churrasco, bebidas, presente, churrasco, bebidas e... o que mais?

Chega a ser deprimente o número de jovens pelas ruas, exibindo suas latas de cerveja como se fossem troféus. Com gritos de “É Natal! É Natal!”, saem na madrugada, com braços e corpos para fora dos carros, festejando... o quê?

Ninguém pense que não promovo e curto meu Natal, meio às avessas, é claro, mas cumpro o ritual. Já montei minha árvore junto com meu filho, instalei e acendi as luzes do anjinho pendurado na janela, e ainda estou procurando uma guirlanda ao meu gosto para a porta. O filhote reclamou de poucas luzes, portanto, penso em comprar e instalar mais. E vamos preparar a casa para o Natal!

Enfim, vou passar por todo o roteiro de compras, visitas, encontros, confraternizações, igualzinho ao do ano passado, que no próximo ano vai ser igual novamente, e no outro, e no outro. Não gostar disso ou daquilo, ficar triste com esse ou aquele, me irritar com outro montão de coisas e situações. Não tenho escapatória, a não ser me trancar em casa, tomar um sonífero e acordar dia 5 de janeiro. Como não vai dar para ser assim, que venha o Natal. Vou fazer tudo direitinho, como mamãe ensinou.
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4 comentários:

cintia sibucs disse...

Me lembrei de uma outra postagem sua sobre o mesmo tema ainda lá no seu endereço antigo. E me lembrei tb de ter comentado q todo mundo esqueceu o verdadeiro espírito natalino. Uma pena... porque essa festa deve ser celebrada com muita felicidade, pois é quando Jesus nasceu!
Se todos se lembrassem... seria uma data mais especial ainda.

bjs!

rildobarros disse...

Entendo muito bem o que vc disse, eu tb não aguento essa deturpação do natal. Adoro natal, mas não gosto do clima que se instaura de consumismo. enfim.... fazer o que?

bjo

Anônimo disse...

Toda essa que chatice que você menciona e relação ao corre-corre por causa das Festas, de longe você tem toda razão, mas pra mim é muito gostoso o abraço na hora de felicitar. Acreditar que Jesus está aniversariando, ou mesmo nascendo. Reviver esta data que por curiosidade é inventada.
O pior é quando falta alguém pra abraçar. Aquela pessoa que foi muito especial em sua vida. Isso me desanima um pouco, digo: desanima muito, mas a vida continua.
Quando criança vivi Natais mais felizes, e como mãe vou fazer a minha parte. Acho que estou chegando a conclusão de que o Natal é das crianças.

Feliz Natal pra você!

Lincoln disse...

...Eu sempre me alegro e muito! Bem, mas eu tenho na esperança toda a minha fé.
Eu sempre estou esperando pelo melhor..mas, concordo, existe um viés negativo nessa exacerbação da festa como vc notou.
Parece ser fruto do peso que uma banda da sociedade carrega por não saber, ou não poder, ou não querer se fazer nova, se despojar de tudo, abrir espaço pra esperança e merecer o novo dia.
Concordo de novo, o tempo é de meditação, também foi assim que aprendí com minha mãe.
É tempo de arrumar a casa.
Está escrito: "aplainai as veredas do Senhor"
Espero ser recebido na sua casa como tenho sido nesses últimos sete anos.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo pra vc e para o Caio.
Beijos.