24 de outubro de 2013

Não é crueldade? Como não?

Costumo me esquivar dos assuntos em pauta na mídia e sempre bato nesta tecla. Aprendi que crônica é mudança de assunto, gostei disso e assim faço. Mas, esta semana a insistência foi significativa em cima do tema beagles do Instituto Royal. Li, acompanhei, procurei entender todos os lados, encontrei e ainda encontro matérias comprometidas com a empresa, ao mesmo tempo em que me deparo com declarações apaixonadas e, por isso, pouco raciocinadas de ativistas defensores de animais.

Pra começo de conversa, uma definição: sou absolutamente contra experiências científicas em animais.

Quando falo de matérias de órgãos de imprensa comprometidos com a empresa, refiro-me àquela velha prática de ouvir um lado só, de sequer tentar compreender que o lado que se está defendendo comete, sim, uma prática no mínimo aética. Virando a moeda, ainda se vê na grande maioria dos ativistas uma forma muito exaltada de discursar, de argumentar e justificar seus atos que, por mais extremados que sejam, são lícitos e louváveis.

É preciso falar claramente, explicar com calma, no detalhe, sem euforia e sem paixão. Deve-se lembrar a todos o que são maus-tratos, o que é crueldade, porque tem gente que não entende ou não sabe mesmo o que é. Por exemplo, a própria direção da empresa, quando diz, nos comunicados oficiais, que os animais eram tratados muito bem, eram alimentados corretamente e estavam saudáveis.

Como assim, cara pálida???

Está aí a diferença que ninguém enxerga ou não quer ver nem saber: estariam bem tratados animais submetidos a testes com substâncias que os deixam drogados, cegos, obesos? Não seria cruel tirar-lhes a pele, causar-lhes dores alucinantes, congelá-los em nitrogênio, torná-los mutilados? É mesmo possível considerar normal infectá-los com vírus e bactérias? Aplicar-lhes radiação periodicamente para verificar o seu limite? Os gritos que se ouviam diariamente no entorno da empresa eram de quem? Dos funcionários, se divertindo?

Por tudo isso, no Instituto Royal, eram utilizados cães da raça Beagle, cuja principal característica de temperamento é a docilidade. Imagine, caro leitor, o bicho suportar todas estas atrocidades sem reagir. E no caso específico do instituto ainda se escutavam os tais gritos.

Então, repito: como assim, cara pálida, estes animais eram bem tratados???

Ora, convenhamos: sob este aspecto o Brasil engatinha, se comparado a países europeus onde já são proibidos produtos de empresas que fazem experimentos em bichos. E juro que me surpreendo ao ver “cientistas” renomados(?) botando a cara na TV para lamentar que a ciência dá um passo atrás com a ação ocorrida no Instituto Royal. O Brasil está muitos passos atrás nesta questão, justamente por insistir nesta prática ignóbil.

Já comentei sobre isso hoje numa postagem do Facebook e repito aqui: há muito interesse político e mercadológico nos bastidores deste atraso, fora a ignorância básica de gente que ainda acredita que ciência se faz com crueldade. Digo isso porque sou testemunha de uma decisão que deu fim a testes com animais no UniFOA, instituição onde trabalho, em Volta Redonda. Desde 2007 não se utilizam mais animais domésticos em experimentos nos laboratórios dos cursos de saúde e, para tanto, bastou apenas vontade e uma portaria assinada pelo presidente da mantenedora. Houve muita reação adversa, mas rapidamente se entendeu que os métodos alternativos funcionam muito bem.

A ação dos ativistas serviu para chamar a atenção sobre o tema, mas é preciso fazer o assunto circular, aproveitar a oportunidade para disseminar a informação. A direção do Instituto Royal informou em nota que vai continuar a usar animais e não se pode cruzar os braços agora, que o alerta foi dado e com grande e necessário estardalhaço.
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Um comentário:

cintia sibucs disse...

Depois ve esse video:
http://www.youtube.com/watch?v=WDIz7mEJOeA



Adorei o post, bjs.
Cintia