5 de junho de 2012

Ambiente é todo mundo


Vi alguns posts – poucos, eu diria – em alusão ao Dia do Meio Ambiente, que comemoramos hoje. Li alguns com atenção, por outros passei rápido, abri uns dois ou três links de artigos que me atraíram pelo tema. Depois parei: “Temos algo a comemorar?”.

A todo instante dou de cara com tanta insensatez no trato com tudo o que está ao meu redor, que chega a dar desânimo. É o jornalista amigo meu que abre a bala e joga o papel no chão; o vizinho que não cuida do próprio lixo e o despeja de qualquer jeito na rua; a garrafa pet que salta da janela do ônibus e quase atinge meu parabrisa; os restos de armários que vejo na margem do Rio Paraíba; a funcionária do restaurante que espanta uma gata com jatos de álcool; o motorista que avança a fila, corta vários carros, força o retorno à fila lá na frente e pensa que está arrasando.

Ao passo que tudo isso acontece no microaombiente à minha volta, o país discute o malfadado Código Florestal. Confesso que a preguiça foi tanta, que dei um tempo; não tenho mais acompanhado tão de perto esta história. Bateu um cansaço mórbido. Talvez porque eu junte as duas situações: para mim, enquanto a relação homem-ambiente não for tratada corretamente em casa, na escola, no trabalho, de gente pra gente, não haverá nunca entendimento desta importância lá em cima. Porque para que ocorra algo realmente significativo nas esferas mais altas, é preciso que a sociedade vá junto, empurrando. Porém, enquanto esta mesma sociedade continuar formando cidadãos que não respeitam o espaço comum, adeus Código Florestal ou qualquer outra lei que beneficie o ambiente.

Uma mãe que incentiva o filho a ser arrogante com a professora, não ajuda o meio ambiente. Um pai que tira a filha da escola particular e a transfere para a pública, para não ficar reprovado, não ajuda o meio ambiente. Uma mãe que deixa o filho dispensar seu lixo no chão e não o repreende, não saberia entender de que trata um Código Florestal. Um pai que atropela um gato, propositalmente, para mostrar ao filho o seu grande feito é um egoico que pensa ser o rei da raça animal. Uma professora que aprova um aluno com 40 faltas no semestre, porque ele é filho de bacana, não teria a menor condição de entender o que ela mesma está fazendo aqui, neste planeta. E os exemplos se estenderiam aqui por linhas e linhas.

O que quero dizer é que o meio ambiente não é aquela natureza que está lá longe da minha casa, na floresta, na montanha, no rio ou no mar. A relação homem-ambiente não está e nunca estará dissociada da relação homem-homem. Respeito ao próximo, respeito ao espaço coletivo, educação, dignidade, decência, tolerância, caridade. Se cada membro da sociedade tivesse o mínimo de conhecimento ou desse o mínimo de importância a tais virtudes, zelar pelo ambiente seria menos complicado. Seria apenas o próximo passo, ou um passo paralelo, ou algo que faríamos automaticamente.

Por outro lado, algumas atitudes já me deixam bastante animada, com a esperança de que o ser humano ainda pode se tornar melhor. Coisas bem simples, como a convivência pacífica que temos, aqui onde trabalho, com as dezenas de miquinhos que se alimentam das frutas no jardim. Como o relacionamento amigável dos caminhantes e corredores que todos os dias passam pelas famílias de capivaras que habitam a beira-rio do Paraíba. Um tempo atrás isso não era assim. Os mais egoístas caçavam os micos e levavam para casa para admiração própria do bicho engaiolado; os mais cruéis matavam as capivaras para comer.

É, ainda tem jeito. A mudança ocorre aos poucos, bem devagarzinho, mas acontece. Olho para o meu desânimo e tento dizer “Só hoje; amanhã recupero a fé”. Afinal, preciso continuar ensinando ao meu filho que ser educado, respeitoso e decente com seus semelhantes – humanos e animais – é o que deve pautar nossas vidas.
.
.
.

Um comentário:

Cláudia Cardoso Semeghini Feitosa disse...

Olá Giovana,
Bela reflexão! O meio-ambiente começa dentro de nós, nas nossas famílias. Isto prova que a família é sempre a base de tudo!
Muito tem se falado sobre o tema, como vc mesma comentou, mas infelizmente há lugares em que o tema foge à pauta do dia: lugares onde a pobreza, a miséria, a falta de saneamento básico, de higiene humanamente possíveis e necessárias se apresentam insuportáveis... Infelizmente...
Grande beijo da sua seguidora,
Cláudia Cardoso - RJ