4 de abril de 2012

A verdade é tudo aquilo em que acredito


Outro dia quase vi uma simples observação minha virar discussão da grossa. Algum tempo depois já consigo enxergar mais claramente e avaliar que tal observação pode ser simples pra mim, sempre tão pragmática; mas para o outro, aquele que tem opinião diversa e valoriza justamente o que você não dá tamanha importância, acaba sendo um soco no estômago. Vivendo e aprendendo. É preciso mesmo considerar o que veem em nós. Vai que...

Bom, melhor explicar logo o que aconteceu. Quem estava no papo não vem ao caso, mas falávamos de Semana Santa, passeios, lugares prediletos, as melhores praias, serra, hotel fazenda, onde é melhor para passar os três dias de feriado emendado, as saudades das semanas santas da infância, quando a folga começava na quarta ou quinta-feira e ficávamos mais tempo longe da escola. Até que um diz “Sei lá... sempre gostei mesmo foi de guardar os dias, cumprir os rituais católicos, o retiro, o luto...”. Ao que imediatamente opinei, juro, sem nenhuma intenção de me impor: “Sabe que nunca dei importância pra isso? Desde a infância, quando ainda era católica e minha mãe nos obrigava àquele ritual sem sentido, sem significado algum pra mim”. E o tempo fechou.

Não adiantou tentar me explicar. Aliás, cada vez que tentei a situação ficou pior, até desistir de me fazer entender e me retirar do recinto calmamente. O que ocorre é que se alguém disser que minhas crenças (eu as tenho) não têm significado algum, não me importa, não mesmo, porque já sei disso. Afinal, se são minhas, são minhas; devem significar apenas pra mim e têm significados específicos, individuais. Porém, a imbecil aqui pensa que pode fazer o mesmo, ou seja, acho que o outro reagiria como eu. E não reage, claro. Não posso sair por aí dizendo que não vejo sentido nos ritos dos outros, da mesma forma que sou aberta a que digam isso pra mim. Causa um choque danado, claro. E quando se mexe nesta cumbuca chamada religião, não há Cristo que possa intervir e favorecer a compreensão das posições contrárias. Melhor mesmo é ir dormir.

Fui educada na religião católica, fiz catecismo e primeira comunhão, mas, para mim, jamais entrou na cabeça aquele luto ano a ano, apesar de toda a compreensão do que era explicado a respeito, na época. E hoje, espírita, crendo na eternidade do espírito, menor sentido faz, já que Jesus está vivinho da silva, logo ali, ao alcance de uma prece.

Claro que não vou mexer na cumbuca de novo e reabrir uma discussão reconhecidamente sem fim. Apenas tiro do meu HD a avaliação do meu erro e a conclusão desanimadora de que estou a milhares de passos da realização do meu propósito de Ano Novo: silenciar. Falta aplicação, disciplina, fervor religioso (opa!) para calar a boca e não sair por aí opinando. Pense comigo: na maioria das vezes em que me calo, evito encrenca. Aliás, tal propósito foi firmado justamente porque disse o que penso sobre certa pessoa, ela ficou sabendo e não poderia saber. Enfim, quase arrumei um problema de proporções que prefiro nem imaginar.

Costumo dizer que a verdade é tudo aquilo em que eu acredito, pois se não acredito, não pode ser verdade pra mim. Assim deve ou deveria ser pra todos. Mas não sou eu a pessoa que vai bradar a teoria aos quatro ventos. Creio ter aprendido a lição. Vamos ao silêncio.


.

4 comentários:

Carmem disse...

Gio,
como sempre adoro seus textos, este em especial, me vi nele, pq não sigo tradição nenhuma e não tenho uma religião, tenho várias, pq acredito num monte de coisas e tenho uma fé enorme, não é certinha, com ritos e tradições, mas acho que meu dia a dia e o que faço pelo planeta e pelas pessoas é onde está a minha religião.As pessoas ficam numa ofensa louca quando a gente solta alguma frase fora das tradições, e é isso, a gente nem liga pro d'agente, mas os outros ligam.. louco,né? eu se vacilar e esquecer eu entro numa churrascaria na sexta feira santa na boa..kkk
bjs carmem

Anônimo disse...

Que show...
Meus para-choques.
Cotia

Flavio disse...

Bom dia, Giovanna. Li o seu texto atentamente e, no mesmo instante, lembrei de uma palestra do Divaldo (eu também sou Espírita) sobre a "tal da verdade". Em palavras parecidas, ele disse: "A verdade é feito um diamante: se te dou com afeto, é uma jóia. Mas se te jogo na cara, você vai lembrar que antes de tudo, o diamante é uma pedra." Então, bem sabemos que muitas mentes ainda não estão abertas à doutrina que professamos. O próprio Cristo, quando esteve entre a gente, quase sempre falava em parábolas, pois o homem de Sua época ainda não estava preparado para muitas coisas que Ele deixou dito. Coisas que hoje, graças a Codificação da Doutrina Espírita podemos entender perfeitamente. Acho que você fez bem em se retirar, tanto quanto reconhecer que tocou em um ponto muito complicado. Não vale a pena! Poupe suas forças para chamar aqueles que querem te ouvir!

Abração!

Flavio
http://www.almanaque-super-moderno.blogspot.com.br/

Luciano Neto disse...

Eu não tenho nada contra Natal, Páscoa...nada contra a festa em si, apenas a hipocrisia me incomoda um pouco. Mas tenho aprendido com as bordoadas da vida que não devo julgar ninguém. Acho que ficar calada é até certo ponto uma atitude sábia da sua parte, a sociedade é muito hipócrita. Beijos.