23 de janeiro de 2012

Erros arrasadores


Não fomos educados para cometer erros, ao contrário, papai e mamãe sempre nos ensinaram a diferença entre o certo e o errado, para que fizéssemos o certo; se escorregar, puxão de orelha. Em todos os outros setores e momentos da vida fazer tudo certinho faz parte da organização, da obediência, mantém o ritmo das atividades em perfeito andamento, tudo no seu devido lugar. Pessoas que estão permanentemente antenadas na ação correta costumam ser exigentes, ou perfeccionistas. E quando cometem um pequeno deslize, se corroem; se o tropeço é grande, querem arrancar as calças pela cabeça. Meu caso.

Imagine, por exemplo, a pessoa que envia um torpedo a alguém em especial, com um convite excitante para uma noite de sexo selvagem. E recebe em resposta: “Quem é você?”. E tem o cara que liga para a casa da namorada, é atendido pela sogra, mas confunde as vozes. Desmancha-se em declarações de amor, de desejo, de tesão incontido, de saudades dos mais variados pontos do corpo da amada, até ouvir do outro lado da linha “Fulano, aqui não é a Fulana; é a mãe dela.”.

Os casos acima não são fictícios. Aconteceram com dois amigos distintos, em épocas diferentes, mas são muito comuns. Tem gente que passa por isso e no máximo se dobra de rir. Outros querem enterrar a cabeça no chão, como meu amigo que travou o seguinte diálogo com um jornalista colunista social, de licença por motivos políticos:

_ Poxa Fulano, que chata esta sua licença. Sua substituta não é como você. A coluna não será a mesma enquanto você não voltar.
_ Mas não há ninguém me substituindo. O nome que está lá é pseudônimo; sou eu mesmo. Não está gostando?

Erros arrasadores são comumente cometidos por quem é ‘boca aberta’. Falo deste povo (eu!) que desconhece a distância segura entre o que surge no cérebro e o que solta pela ponta da língua. Você já passou por isso: mete o chicote no nome de um desafeto qualquer e descobre que seu interlocutor é irmão do dito cujo, ou primo, ou filho. Aí não tem salvação. Quando é possível, neste caso, costumo manter o que disse. É mais honesto. Até porque não preciso esconder que discordo de opiniões e posturas deste ou daquele, e se não gostar, sinto muito. Em qualquer lugar do mundo em que eu esteja, o que penso permanecerá do mesmo tamanho.

E é preciso tomar cuidado sempre. Minha irmã presenciou duas mulheres falando horrores de um homem, numa conversa dentro do ônibus. Impossível não ouvir o que diziam, a ponto de minha irmã entender o mal falado era parente nosso. É mole?

Pior é quando erros deste tipo são cometidos no trabalho, justamente entre pessoas que precisam ser polidas umas com as outras, onde nunca se deve dizer o que pensa, onde há meia dúzia de portadores de SPP por metro quadrado. Então, caro leitor, trata-se de campo minado. Qualquer passinho em falso e o pobre corre o risco de sair despedaçado. Não sobra espaço para rir dos próprios deslizes, por mais engraçados que sejam (e dependendo dos atores envolvidos, é espetáculo cômico garantido). Melhor manter a boca trancada e os braços cruzados. Pensar está liberado.
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3 comentários:

Priscilla Eller disse...

hahaha adorei e me identifiquei, sou dessas

(...)"boca aberta" que desconhece a distância segura entre o que surge no cérebro e o que solta pela ponta da língua.

Delane disse...

Legal muito bem pensado ...

Carol Cunha disse...

Ixi!! Eita que sou eu mesma!!! Nossaaaa como já me aconteceram situações assim!! Mas quando fico encalacrada diante de um constrangimento, mantenho a postura e peço desculpas, claro! Mas não dá para voltar atrás, né? Porém, incrivelmente, no trabalho parece que meu organismo me defende e aciona uma espécie de trava-língua que me protege completamente deste tipo de problema. Até hj nunca fiquei de saia justa no trabalho ou em ocasiões formais!! Menos mal!! hahahah