30 de janeiro de 2012

Com que roupa?


A jovem chegou ao posto de atendimento do Detran no início da tarde. Usava cabelo preso, calçava chinelo rasteiro. Vestia (?) um shortinho que lembra os modelitos de Carla Perez nos velhos tempos em que o É o Tchan ainda era Gera Samba e uma camisetinha quase top (na minha infância tal conjunto era chamado de biquini). Queria dar entrada na sua identidade civil. Entrou faceira, pediu informação, foi bem recebida por uma das funcionárias, porém, logo foi avisada de que não seria possível ser atendida naqueles trajes. A jovem pasmou e saiu enfurecida.

O assunto é delicado. Para alguns, a primeira reação é a de revolta, pois pensam logo em preconceito, afinal, cada um usa o que quer, do jeito que quer e ninguém tem nada a ver com isso; outros sentem pena da garota, por não ter sido devidamente orientada quanto à forma correta de se vestir. Para a maioria, rola um ar de desprezo mesmo, onde já se viu, andar assim, quase pelada, e ainda querer ser atendida numa seção pública?

Fiquei entre a segunda e terceira reações. No primeiro momento horrorizei com a roupinha da moça, logo que ela entrou. Fui educada por uma mãe rígida que nos obrigava a vestir camisa de gola para fazer foto 3x4, imagina. Portanto, confesso minha estupefação ao vê-la adentrar a sala do Detran; maior surpresa ainda foi saber, em seguida, que ela realmente intentava fazer seu registro de identidade naqueles trajes. No entanto, pouco tempo depois de sair dali, meu pensamento tomava novo rumo. Aquela jovem não aparentava ter alguém por perto, com o mínimo de bom senso, que a orientasse sobre o pouquinho mais de sobriedade com a qual deveria se vestir para a ocasião.

Como disse, o tema é delicado. O que é certo ou errado? Deve-se ou não respeitar as convenções? A qualquer pessoa deveria ser permitido vestir o que quisesse onde quisesse? Qual é o limite para o que pensamos ser liberdade?

Vou expressar, então, a minha opinião: viver num país tropical nos incita a estar, digamos, mais à vontade, mas enxergo alguns exageros gerados por falta de educação básica. A cultura da TV, do BBB, sei lá mais do quê está colocada como a principal tendência da moda para muitos e muitas e estes muitos e muitas creem que se está na telinha é legaaaal! Poucos dias antes de presenciar o episódio da jovem no Detran, vimos outra moça na rua, tarde da noite, nos mesmos trajes, com a diferença de que calçava um salto abissal. “Gente, ela tá pelada!”, meu filho, de 14 anos, se manifestou.

É muito difícil falar sobre isso sem parecer preconceito, mas, sei lá, sou muito grata às pessoas que em diversas situações da minha vida me orientaram sobre o que vestir. Nas relações pessoais, nos locais que frequento, no exercício da profissão. “Sua roupa deve estar adequada para qualquer pauta que tenha a cumprir, na rotina das reportagens. Seja uma matéria sobre o movimento dos clubes num dia de sol ou uma entrevista no gabinete do governador”. Ensino isso às estagiárias.

Outra confissão: tenho exigências pessoais também, com relação ao vestuário masculino. Uma idiossincrasia, talvez, mas posso dizer, sem delicadeza mesmo, que detesto ver homem de camisa regata (ô coisinha mais feia!), muito menos sem camisa (aff, deselegante e desagradável). Recentemente fazia minha caminhada de sempre, quando veio em minha direção um cidadão com uma barriga e uns peitos balançantes, todo peludo e molhado de suor, carregando a camisa no ombro. Não dá. Isso é péssimo para meus olhos.

Meu filho não sai de casa sem camisa. Nunca precisei ensinar; simplesmente não gosta. E desde muito cedo sabe que há locais e locais e para cada um há algo adequado a vestir. No dia em quem ia dar entrada no documento de identidade me perguntou que roupa deveria usar. Eu perguntei: “Que tal uma camisa de golinha?”
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5 comentários:

cintia sibucs disse...

Esse negócio de roupa é complicado, ne?
Estava conversando isso hj com o povo aqui do trabalho. Falávamos sobre as roupas das meninas hj em dia, que elas saem praticamente sem roupa e por aí vai.
É preciso ter senso, mas quem não tem... vai apanhar ainda até aprender (ou não).

Anônimo disse...

Amiga,
lamentávelmente nos dias de hoje os valores morais, éticos, etc., etc., se deterioraram. E principalmente as mulheres por essas atitudes impensadas ou mal orientadas cada vez mais se desvalorizam. Longe de mim desejar pregar puritanismos, mas sou de opinião que o bom senso é recomendável qualquer que seja nossas atitudes e decisões. Inclusive no que devemos ou não vestir.
Calino

Neide disse...

Giovana, e tem outra coisa, não podia sorrir, tinha que ser bem séria!!rsrs, será que isso também mudou?!mais é por aí mesmo, falta de orientação, mais orientação de quem??porque, às vezes nem os pais não sabem orientar, porque também não foram orientados...e por aí vai...bjs amiga!

Genis disse...

Giovana, esse lance de roupa é complicado... mas as pessoas tem que ter bom censo!
Lembrei daquele caso da professora que ia toda decotada, calça colante e saias curtas? Lembra? Saiu em tudo quanto é canto! rsrsrs
Dias desses vi um homem (um senhor) de camiseta e sunga nas Casas Bahia da Vila. Parecia que morava por perto e estava na piscina...
Não tinha um que não olhava, inclusive eu e meu marido, mas nós rimos muito! Foi divertido, ele super natural e o vendedor tava dando atenção...
Não sei como acabou isso, pois fui embora, mas morrendo de curiosidade! rsrsrs Confesso...
Beijo grande!

Paulo Roberto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.