28 de novembro de 2011

Marmita


Não gosto de rotina. Sempre que posso, fujo e tento fazer algo novo no meu dia a dia. Afazeres que se repetem me dão preguiça e como também odeio sentir preguiça, estou constantemente em mutação de atividades – as que posso, claro. Uma das ações que costumam de repetir e que procuro evitar é frequentar os mesmo lugares. Restaurantes, por exemplo. Não falo de diversão, falo de refeições diárias. Preciso comer fora de casa a semana inteira e acabo por enjoar da mesma comida, do mesmo sabor, dos mesmos pratos, das mesmas pessoas, enfim, da mesma mesmice. Portanto, agora, adotei a marmita.

A prática é detestada por muitos, mas para mim, neste momento, é a salvação do meu paladar e da minha saúde. Os restaurantes normalmente oferecem repetidamente o mesmo cardápio. Pouca coisa muda. Em muitos deles as cozinheiras carregam no sal (já vi sal polvilhado em cima da batata doce!); em outros, a comida é absolutamente sem tempero. E ainda com um agravante: só como carne branca e os estabelecimentos não têm muita preocupação em variar nas opções à opção. Outro problema: meu prato costuma ser montado com ¾ de vegetais, o que não é possível, devido à escassez de mato ofertado pela maioria. Enfim, trazer de casa tem sido muito, muitíssimo satisfatório, até o momento em que esta rotina também me encha os pacovás.

Até lá, curto meu horário de almoço deliciosamente sozinha, em silêncio, sem ruído (penso que ando meio seletiva, ou ranzinza). E não encontro ninguém que vá fazer observações no mínimo invasivas. Foi o que ocorreu ao chegar a um restaurante em que costumo almoçar com o maridão. Ao entrar acompanhada apenas por meu filho, fui abordada por uma das proprietárias, em alto em bom som, antes mesmo do educado ‘boa tarde’: “Uééé, tá solteira hojeee?!”. Sinceramente, não quero, não preciso e não dou intimidade para isso. Porém, é o que causa a rotina. As pessoas se sentem íntimas, tão somente por nos verem com certa frequência e porque as tratamos com educação e simpatia.

Quanto a esta senhora, posso simplesmente não voltar ao estabelecimento amiúde, mas de segunda a sexta, a marmita tem sido a solução para muitos problemas. A comida é leve, pouco sal, tempero caseiro, quentinha, com os tipos de mato que mais gosto, os mais saudáveis, no colorido e na medida certa. Eu mesma escolho no supermercado o que quero comer durante a semana e ter poder sobre isso é algo impagável. Meu corpo já sentiu a diferença em uma semana de novidade. Sem contar a mudança de rotina nas minhas noites; antes de dormir, arrumar meu almoço de amanhã. E então, cuidadosamente, construo um prato lindo, de comer com os olhos.

Já é hora do almoço e não poderia ter escrito esta crônica em melhor momento. Aumentou o tamanho da minha fome e a expectativa em abrir a marmita. Quem não gosta, entendo. Mas garanto que, exigente que sou, tenho me alimentado muito bem e com qualidade incontestável. Então, à marmita.
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4 comentários:

c i n t i a disse...

Olha, eu já estou no terceiro ano de marmita e não me arrependo. É a mesma coisa: preparo a noite, o que quero, com o meu tempero e do meu jeito. E sabe de uma coisa, é infinitamente mais saudável. E vc vai se adaptando aos poucos, descobre o que fica bom e o que não fica.
Sabe o que eu descobri? Farofa não dá! Rsrsrrsr! É verdade! Mesmo que vc separe ela em um cantinho direitinho, na hora de comer ela simplesmente se intromete em todos os alimentos, contamina tudo, kkkk! Aí, passei a adotar dois ou três potinhos menores onde coloco os alimentos separados e fica bem melhor, principalmente a salada. Aqui tenho a facilidade do micro-ondas então coloco no prato e esquento. Fica ótimo.
E bom apetitte!!!!

Giovana Damaceno disse...

Isso mesmo, Cintia. Também tenho micro-ondas no trabalho e como sempre tudo bem quentinho. Enquanto a comida esquenta no forno, curto meu saladão.

Carla Cintia Conteiro disse...

Oi, Giovana!
Interessante... Ontem mesmo estava lendo uma matéria sobre bentô, a marmita japonesa. Fiquei encantada. E com vontade de experimentar, mas esta é uma aventura de que o home office nos priva :) Olha só que ideias bacanas: http://msn.bolsademulher.com/trabalho/bento-a-marmita-fashion-110064.html
Não é um achado pra quem é novidadeira?

Carol Cunha disse...

Ahhhhhhhhhhhhh que essa foi beeeem boa mesmo!!! hahahahah Tb tô vivendo o mesmíssimo dilema!! Minha rotina de trabalho não permite almoçar em casa e com isso vivo de self-service. Para piorar minhas opções a cada dia estou num bairro, no horário do almoço, e nessas localidades só o que encontro são pensões ou restaurantes self-service de carregação: Saladas de alface, tomate e vinagrete (hein?) na maioria das vezes - variando entre vagem e chuchu mega oleosos e inhames na parte dos frios junto com abóbora (já viu isso?)- carne escura e de péssimo aspecto ou lascas de frangos brancos e crus. NÃO AGUENTOOOO MAAAAIS!!! Minha atual solução está sendo esperar até às 13h, que é quando retorno à secretaria, para almoçar no Aterrado, onde as opções tb são terríveis!! Tenho almoçado num restaurante ao lado da loja Terracota. Mas, sinceramente, acho caro pela pouca variedade e quantidade que oferecem. Porém, a comida tem aspecto saudável e pouco sal. Impressionante a quantidade de sal que esse povo põe!! Sobre as invasivas... Sem comentários!! Que gente mala é essa que anda normalmente pelas ruas?? Fala sério!! Sofro o mesmo aborrecimento! Deixei de frequentar uma birosca, que se entitulava restaurante, porque a dona era assunteira assim tb. Que gente carente!!