9 de dezembro de 2010

Comentários Esportivos

Meus ouvidos lamentam profundamente

Tenho acompanhado futebol mais que de costume, principalmente por ser ano de Copa do Mundo e agora, com a vitória do Fluminense no Brasileirão. Sou cercada por tricolores desde criança e num momento glorioso como esse não poderia deixar de ver e ouvir futebol. E ouvi muita bobagem, que me perdoem os colegas comentaristas. Considero imperdoável o cidadão que se propõe a falar para milhares de ouvintes ou telespectadores e não investir em um mínimo de conhecimento da Língua Portuguesa e até mesmo de conhecimenrtos gerais. Não é porque o futebol é um esporte popularíssimo, que se permite falar errado a quem nos ouve ou assiste. E o que mais ocorre no meio futebolístico é a completa falta de noção de muitos dos que estão diante dos microfones.

No último domingo, por exemplo, quando o Fluminense se preparava para entrar em campo, ouvia pelo rádio um bate-papo entre um locutor no estúdio, seus companheiros de bancada e os repórteres no estádio. Entre uma conversa e outra trocada, uma delas foi sobre a quantidade de vezes que o Flamengo havia sido campeão (embora a festa naquele dia fosse do time tricolor). E eis que o locutor manda esta: “(...) A nível de campeonato estadual o Flamengo foi 31 vezes campeão (...)”. Além da vergonha alheia, problema sério que tento resolver nas minhas sessões com o terapeuta, senti uma pontada no cérebro ao ouvir tamanha pataquada.

Parece que comentarista acredita que só precisa entender de futebol para falar em público. E por isso outras bobagens são ouvidas com frequência nas rádios e na TV. Falei há alguns anos a um amigo, na época estudante de jornalismo, que ele não seria jornalista lendo apenas os cadernos de esporte. Precisava ler o jornal inteiro, além de livros, muitos livros de estilos variados. Só assim se conquista uma formação abrangente, com um nível de informação integral. Um pouco mais de leitura evitaria que um comentarista dissesse isto: “(...) são duas emissoras importantes, que fazem parte do folclore da nossa região (...)”. Hã?!

Nunca estaria no lugar de qualquer um deles, pelo simples motivo de não gostar de futebol, mas me sinto no direito de fazer esta crítica por ser ouvinte e telespectadora. Meus ouvidos dóem quando ouço frases desconexas, erros graves de Português e algo do tipo citado acima. Não custa nada entender um pouco mais da língua que se fala no país e do que significam as palavras. Hoje mesmo estava respondendo a uma entrevista por email e uma das perguntas era “o que você diria para os escritores da região que têm vontade de se lançar no mercado editorial?”. Minha resposta: “Escrevam. Leiam. Escrevam. Leiam...leiam...leiam...leiam...leiam...leiam...” E essa é uma recomendação que faço a qualquer pessoa, seja qual for o objetivo que tenha na vida. Ler, sempre. De tudo. Todos os dias.

Quando o STF derrubou a exigência do diploma de Jornalismo, em 2009, ouvi muitas pessoas defenderem que para ser jornalista não é preciso fazer faculdade. “Qualquer um pode ser comentarista de futebol, por exemplo. Olha quantos profissionais estão aí, escrevendo em jornal”. Em parte, podem sim, escrever para jornal, mas não aconselho a dar bloco e caneta na mão deles e mandar fazer uma matéria.  Não faz. Não tem conhecimento técnico para isso. E o desempenho dos comentarisas de futebol diante dos microfones prova que é preciso algo mais para estar ali falando, falando, falando. Não sei se é um diploma, mas que está faltando algo, está.

4 comentários:

Anônimo disse...

Querida Giovana

Sorte sua de que ouviu apenas um jogo. Se você fosse como eu, um amante do radio esportivo, não faria apenas uma crônica, mas sim várias, isso se viva ainda estivesse depois de ouvir as asneiras que ouço. São de arrepiar pelinho você sabe de onde.

Seu amigo Anônimo que tanto a admira

c i n t i a disse...

Realmente, tem cada pérola que a gente é obrigado a ouvir que dá medo.
Mas pra mim o que mais incomoda é a internet. Gente que "acha" que sabe escrever. Por isso retuitei um dia desses a frase de um anônimo do twitter que dizia: "se vc nao sabe a diferença entre 'mais' e 'mas' então não escreva no twitter."

Bjs!

Anônimo disse...

Valeu, menina...

Frávia, a dona do brog disse...

A nível de assunto, seu post está SENSACIONAL! rs
Adorei.