27 de agosto de 2010

Entupida

Acordo de manhã e sinto algo estranho na garganta. Quando engulo, a sensação é que há um cacto plantado ali (essa comparação é da minha amiga Cintia Sibucs). O dia corre normal, apesar do desconforto, mas ali pelo final da tarde já não consigo fixar os olhos no computador, porque eles ardem. Ardem muito. Então já tenho certeza do que se anuncia. É ela, a visitante certeira de todos os anos, de todos os invernos secos: a sinusite.

Começa aí uma operação inglória para tentar combatê-la antes que vire uma infecção instalada, com febre e cama. Analgésicos (que não melhoram a dor nadica de nada; é só uma ilusão), antialérgicos, vitamina C, vaporizador ligado, água, água, água e mais água. Tudo em vão. Ela insiste e é mais poderosa que eu.

Passam-se dois ou três dias nessa briga, até que a dor fica alucinante e não me permite mais dormir. Meu rosto incha, exatamente em cima dos maxilares, como se aumentassem minhas bochechas. Os olhos latejam que parecem querer saltar a qualquer momento. O nariz fica permanentemente entupido porque as cavidades perinasais deixam de se comunicar com as fossas nasais, por causa do aumento da mucosa. A cara toda dóóói.

Estou no quarto dia de batalha. O relógio desperta de manhã, tento me mexer para levantar, mas a cabeça não sai do travesseiro. Ela pesa 50 quilos. Tento de novo, mas uma mão imaginária bem grande pressiona meu rosto e me impede qualquer movimento. Fico deitada, de olhos fechados, e eles ardem assim mesmo. “Não dá”, eu penso, “é hora de me entregar”. Pego o telefone para ligar para o trabalho e descubro que estou praticamente sem voz. “Agora não dá mesmo”.

Rolo na cama, escorrego para o chão, me levanto abrindo e fechando os olhos com dificuldade, protegendo-os da luz com a mão. Vou até a cozinha (ainda bem que minha casa é do tamanho de um ovo de lagartixa) mando mais um analgésico goela abaixo e volto para a cama. Ali fico até quase meio-dia.

Nesse ínterim pipocam problemas de ordem familiar, meu telefone não para de tocar e mal consigo falar de tanta dor. E então, desisto de brigar. Como sempre acontece, ela me vence e sou obrigada a me render ao antibiótico. A velha e boa companheira amoxicilina. Só ela até agora é realmente capaz de detonar com as bactérias e fungos que se alojam nas minhas cavidades perinasais para que eu possa, enfim, me livrar da dor e poder respirar normalmente.

Impossível trabalhar. Desconheço alguém que, com uma dor desse tamanho, consiga equilibar a cabeça em cima do pescoço, olhar para a tela do computador, escrever, raciocinar. Você pode não acreditar, mas esse texto saiu em menos de 30 minutos e já estou pedindo arrego. Agora, cama de novo. E um fim de semana assim, assim.
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3 comentários:

c i n t i a disse...

Eu fico assim... só que em menor escala!

Rildo Barros disse...

Convivo com várias pessoas que tem esse problema, graças a Deus não tenho, pq do jeito que o tempo anda seco, imagino que realmente seja difícil.
bj

Frávia, a dona do brog disse...

Como eu sofro! Caramba!!!!
É exatamente assim....