9 de maio de 2010

Como comemoro o Dia das Mães

Sábado, 00h27. Ainda nem fui dormir e hoje já é Dia das Mães. O presente dela está aqui ao lado, carinhosamente embrulhado. Quando acordar, como manda a tradição familiar, me preparo para o almoço em família. Ela vai para a cozinha e com o maior prazer faz o que chama de ‘comida de mãe’.

Fui educada numa família que sempre levou muito a sério essas datas. Todas. Dias de mãe, pai, namorados, Sexta Santa, domingo de Páscoa e por aí vai. Eu, na verdade, nunca liguei muito. Sempre achei essas datas muito estranhas. Não consigo enfiar na minha cabeça a obrigação de estar com alguém só porque é dia disso ou daquilo.

Fui tão obrigada a minha vida inteira a considerar isso importante, que na primeira vez que não pude estar com minha família no Dia das Mães, por causa de compromissos de trabalho, chorei o dia inteiro e quase atrapalho o meu desempenho, tamanha a depressão. Um desastre desnecessário, se eu tivesse uma educação sem culpas nesse sentido.

Não crio meu filho assim. Nesse sábado, de manhã, quando saiu com pai – que ele só vê a cada 15 dias – disse que se quisesse, poderíamos, sim, almoçar com a vovó no domingo. Fui bem clara no ‘se você quiser’. Ele está comigo todos os dias, dormimos e acordamos juntos. Por que tirá-lo dos braços do pai só porque é Dia das Mães?

Parei esse texto quase uma da manhã.
Agora já são 20h48 de domingo.

Domingo de Mães tradicional cumprido à risca. Almoço saborosíssimo, claro; trocas de presentes, porque sou mãe também e recebo os meus; reeencontro com irmãos; visita à sogra também não poderia faltar. Tudo direitinho. Meu filho, como era previsto, almoçou primeiro com o pai e com a outra avó. Achei ótima a decisão dele; exerceu a liberdade de escolha, algo que não conheci muito bem durante anos.

Alguém pode imaginar “quero ver se ela continua pensando assim depois que perder a mãe”. Sinceramente digo que não sei; só vou saber quando acontecer, se acontecer. Afinal, posso ir antes, ninguém sabe. Mas sei que não tenho pai há dez anos e nunca fiquei mal no Dia dos Pais. Simplesmente não me ligo na data, como nunca me liguei antes. Portanto, desta forma fica mais fácil passar esse dia específico. Meu pai me faz falta diariamente, não apenas no segundo domingo de agosto.

De qualquer jeito, todos estão satisfeitos, principalmente o comércio, a quem mais interessam tais datas. Fui ao centro da cidade no sábado à tarde para comprar os presentes de mãe e sogra e o movimento era de deixar qualquer comerciante rindo à toa.

Tristes ficam as crianças que não têm mãe e que são obrigadas a participar das festas e infindáveis apresentações preparadas nas escolas na semana do Dia das Mães, outra coisa de que nunca gostei. Sempre vai uma avó ou uma tia no lugar, mas não é a mesma coisa. Neste ponto a escola do meu filho dá show. Não tem festa de pai, de mãe, de avó. Ninguém sofre.

O domingo está no fim e a melhor mãe do mundo – a minha – está feliz da vida. Isso é o que importa. E por ela estar bem, estou também. É isso.
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Um comentário:

c i n t i a disse...

Lindo e sincero, como sempre!