25 de março de 2010

Rombos na paisagem

Li no blog da Flor de Liz um post sobre aquela campanha da agência Lew’Lara\TBWA, em parceria com o Instituto Akatu, criada para despertar uma reflexão no brasileiro sobre o impacto do que ele consome, seja água, comida, energia ou espaço imobiliário, como é o caso da campanha. Foram feitos cartazes, folders, vídeos, faixas puxadas por aviões, tudo como se fosse verdadeira a oferta de empreendimentos em locais inimagináveis, inclusive por proibição legal: areia da praia de Pitangueiras, no litoral de São Paulo; o Morro da Urca, no Rio de Janeiro; a Lagoa da Conceição, em Florianópolis; no Lago Paranoá, no Distrito Federal; e nas areias da praia de Boa Viagem, no Recife.

Ao contrário do que se esperava, a campanha não provocou, de imediato, nenhuma reflexão. Houve, sim, muito interesse nos empreendimentos. No litoral de São Paulo, por exemplo, 59% das pessoas aprovaram a ideia de construir um prédio nas areias de Pitangueiras, sem sequer pensar que as consequências negativas de construções desse porte em áreas de preservação ambiental são mais que evidentes.

“O interesse de muitos brasileiros em comprar uma unidade em um dos empreendimentos reflete o fato de vivermos em uma sociedade em que as pessoas não sabem o que está por trás do seu próprio consumo”, explica Helio Mattar, diretor presidente do Instituo Akatu.

Infelizmente, hoje, para a maioria das pessoas, basta que o projeto esteja regularizado para ser aprovado, independente do local da obra e dos prejuízos que pode acarretar. A tragédia que ocorreu na Ilha Grande na noite de Ano Novo é um perfeito exemplo. A pousada estava devidamente regularizada na prefeitura de Angra dos Reis, mas será que houve análise e aprovação de especialistas quanto à ocupação daquela área? Tenho minhas dúvidas de como isso foi feito. Não se constrói na base de uma encosta sem prejuízo algum.

Em Volta Redonda, onde moro, a construtora Gafisa está levantando um prédio na Vila Santa Cecília, num local que conhecemos por ‘subida do colégio Rosário’. Quem tem um mínimo de informação urbanística e ambiental, quando dá de cara com aquele esqueleto sendo erguido verifica rapidamente o tamanho da agressão. É um rombo na paisagem, por mais que se garanta que o edifício está ‘integrado à natureza’.

Também tenho minhas dúvidas em relação à aprovação deste projeto. Claro que está devidamente regularizado na prefeitura da cidade, mas suponho que quem assinou tal autorização não sabia bem o que estava fazendo. E a população não se manifestou, especialistas se calaram, tudo ficou por isso mesmo, e está lá, aquela obra feia no meio do verde da encosta. Uma torre enorme vai ser erguida ali, completamente fora de contexto. Os motivos são os mesmos levantados pelo diretor da Akatu. As pessoas não têm ideia do que está por trás do próprio consumo e nem estão interessadas em saber.
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2 comentários:

Anônimo disse...

Sobre a questão do prédio da Gafisa na chamada "subida do Rosário" é importante não esquecer que além de enfeiar o ambiente com aquele espigão, o referido empreendimento trará ainda problemas ambientais como a quantida de esgoto que será jogado no Rio Brandão, maior fluxo de transito - que lá nao é pequeno e outras coisitas mais.
Progresso é sempre bom para as cidades, mas um progresso ordenado no qual o interesse da sociedade esteja sempre a frente do interesse de algum grupo de pessoas.
Para terminar uma pequena informação a ser checada pela compentente jornalista e autora deste blog: Há uma noticia de que nem todos os apartamentos do empreendimento foram vendidos.

c i n t i a disse...

Acompanhei a repercussão no Fantástico e assim que foi ao ar a segunda parte da matéria, tb publiquei no meu Preservblog.
Fiquei impressionada com a quantidade de pessoas interessadas e isso nos leva acrer que os brasileiros ainda estão muito longe de ter uma consciência ambiental para poder lutar pelas nossas riquezas naturais.

bjs!