6 de dezembro de 2009

Violência contra a mulher

Merecemos e podemos promover uma mudança de cultura

Estou meio atrasada pra falar nesse assunto, eu sei, mas fiquei um tempo pensando. No dia 25 de novembro, mulheres foram às ruas se manifestar. Era o Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher. Lindo, lindo. Todos os anos critico quem comemora festivamente o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, com rosas, presentinhos e agrados feminíssimos. E tenho também minhas críticas às últimas manifestações.

É que acho muito pouco responsabilizar somente os homens pela violência doméstica. Claro que concordo em gênero, número e grau com punição exemplar contra isso e ainda penso que as leis são muito brandas. Por outro lado, proponho que seja ampliada a discussão para uma proposta de mudança de cultura entre as mulheres.

Um exemplo que me faz pensar dessa forma é minha vizinha. Apanha do marido regularmente. Os filhos também sofrem. Já passei uma madrugada inteira no muro da minha casa com o celular na mão, tentando ligar para a polícia, enquanto ela, trancada com os filhos no banheiro, gritava: “Socorro! Alguém me ajuda! Chamem a polícia! Ele vai me matar!” Mas, sempre depois que passa o sufoco ela tem o displante de dizer que o marido é maravilhoso, amoroso. “É o melhor marido do mundo. Só exagera um pouco na bebida de vez em quando”. E está lá, reformando a casa, feliz da vida.

Sei que há as que passam por terríveis torturas psicológicas para se manter de bico calado e aguentar o dia-a-dia como se estivesse tudo as mil maravilhas. Porém, outro exemplo: uma mulher sabe que é traída, que o marido tem outra ou outras, vive humilhação atrás de humilhação, mas não toma uma atitude porque não pode (?) abrir mão da casa, do carro, das viagens, de uma certa boa vida. Isso também não é uma violência para a qual fechamos solenemente os olhos?

E o que dizer da violência da mulher contra a mulher? Tivemos um caso escandaloso recentemente. A aluna da Uniban que quase foi linchada por uma turba insana onde se via muuuuitas mulheres querendo fazer picadinho da loira de vestido-rosa-muito-curto. Se achamos que uma mlher deve ser surrada porque usa um vestido-rosa-muito-curto concordamos que também possa levar uns tapas do marido de vez em quando, certo?

Por isso coloco em discussão uma mudança radical de cultura. Ainda vejo, entre pessoas da minha convivência, mulheres machistas, que criam seus filhos para ser ‘galinhas’, e que procurem uma segunda mãe ou uma doméstica pra casar. Aquela tradicional Amélia, que vai lavar e passar suas roupas, cozinhar almoço e jantar, deixar a casa um brinco, pregar os botões das camisas e estar pronta pra oferecer sexo quando ele quiser. Não estou fantasiando. Infelizmente ainda existe família que cria seus filhos homens desta forma. E eles não aprendem a amar, aprendem a usar; e daí a encher a cara da mulher de porrada de vez em quando, também não custa.

Nada justifica a violência. Repito que a punição ainda é muito branda para esse tipo de crime. O homem que bate em mulher merece cadeia, por muito tempo. Mas somos nós, mulheres, que devemos mudar nosso posicionamento na sociedade e brigar, incansáveis, por uma mudança de cultura. Parar de nos comportar como objetos de deleite masculino e buscar respeito e diginidade. É o mínimo que podemos fazer.
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4 comentários:

Thaissa Costa disse...

Sou adepta ao pensamento: "As pessoas só fazem conosco o que deixamos". Vale um outro tbm: "Se o elefante soubesse a força que tem ele seria o dono do circo." Enfim, as mulheres permitem essa situação. É óbvio que antes de levar uma surra houve o primeiro tapa. A primeira provocação, a primeira ameaça. Infelizmente muitas acreditam que a situação vai mudar. Gente, pelo amor de Deus, as pessoas não mudam, no máximo se adaptam. Essência não muda. Um homem que tem coragem de levantar a mão para uma mulher uma vez, vai fazer sempre, principalmente, se ela não tomar uma atitude. ATITUDE! É isso que falta.

Giovana Damaceno disse...

COMENTÁRIO DO MEU AMIGO CALINO, POR EMAIL:

Oi Gigi,
SEMPRE dou uma espiada nos seus escritos. Por total ignorância na área da informática, nunca consegui postar um comentário aos seus inpirados textos. Me emocionei às lágrimas quando você "se desnudou" falando de sua doença. Sou virtualmente contrário a quaqlquer tipo de violência, mas de fato, a mudança em nossa cultura (?) é indispensável, sem o qual isso nunca acontecerá. Sua mencionada vizinha é um perfeito exemplo de como muitas mulheres pactuam com a violência que sofrem. Depois da "sessão de tortura" tudo volta ser flores... Isso me cheira a neurose, esquizofrenia, medo, falta de vergonha na cara, sei lá... Ora, quem cala consente!
Não defendo em nenhuma hipótese a violência contra a muher, nem contra outro homem, nem contra os animais, etc., (viu ontem e hoje na tv a selvageria motivada pelo fanatismo ao futebol?) Mas você foi feliz em dizer que acha pouco se responsabilizar apenas os homem por essas atitudes. Em TODOS os aspectos da vida, muitas mulheres não estão sabendo se valorizar.
Como disse o Dalai Lama:
"Nada é mais importante que o calor do coração.
Êle nos nutre desde o nosso nascimento. É importante nos conscientizarmos desse valor. Só o afeto humano pode promover uma sociedade feliz e um mundo pacífico".

Calino.

Cintia disse...

texto perfeito.
as mulheres desses casos, precisam é saber amar a si mesmas, assim isso não acontece.

Anônimo disse...

Infelizmente, as vezes chego a acreditar que o machismo é alimentado pelas mães desses "homens animalizados" e "mulheres subimissas"... e aí cria-se esse circulo vicioso. geração em geração...