27 de janeiro de 2009

Sobram vagas para juízes em todo o Brasil

Como assim?


Esta notícia parece irreal, mas não é. Apesar do salário inicial de R$ 19 mil, sobra vaga para juiz no Brasil. Em São Paulo, por exemplo, dos mais de sete mil candidatos no último concurso, apenas 76 foram aprovados. No Rio de Janeiro a situação chega a ser um vexame: mais de dois mil inscritos e somente três passaram.

E é justamente a falta de juízes um dos principais motivos da lerdeza da Justiça brasileira. O mais recente levantamento do Conselho Nacional de Justiça revela que o Brasil tem quase 165 milhões de processos à espera de uma decisão judicial. Na Justiça Federal são quase 1.500. Para a Associação de Juízes, seriam necessários até 30% a mais.

Cada juiz federal trabalha, hoje, com mais de mil processos. Na Justiça Trabalhista, é mais do que o dobro. No Juizado Especial Federal, para casos de até 60 salários mínimos, pasme!, são 30 mil processos, em média, para um só juiz.

O problema é que a maioria das vagas existentes simplesmente não é preenchida. Só 1% dos candidatos passa nos concursos da Justiça Federal. Na estadual, a situação é parecida. Há 107 vagas abertas em São Paulo; no Rio, 47.

Para Associação de Juízes Federais a falha está na má formação do bacharel em Direito. Segundo o presidente da Associação, Fernando Matos, “isso precisa, sim, ser modificado, melhorando a qualidade do ensino, das universidades e sendo rigoroso nos exames”.

Quem depende da Justiça, espera pelas mudanças para não ter que receber a informação mais ouvida no fórum: “O processo está parado aguardando a conclusão do juiz”.

Alguma surpresa ao ler esta notícia? E não é só no Direito, não. A situação é bem parecida em muitas profissões, desde a Medicina até a Arquitetura. Graduam-se milhares de profissionais anualmente ou semestralmente, mas pouquíssimos, como se vê acima, possuem formação suficiente para atuar no mercado de trabalho, ou passar em concursos públicos.

Recentemente um diretor de escola preparatória para concursos revelou que a dificuldade na aprovação não está nas provas, mas, sim, na formação deficiente, que está generalizada, tanto para nível técnico como para o superior. Desde os conhecimentos básicos, passando pelos temas previstos em editais, até a interpretação de textos/enunciados, “o resultado é, invariavelmente, sofrível”.


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Um comentário:

cintia sibucs disse...

eu acho ótimo! isso é sinal de que esses estudantes de direito, devem se esforçar mais e não ficar gastando dinheiro dos pais com uma faculdade que eles levam "nas coxas". apenas os bons chegam nesse nível.
vc precisa ver os alunos lá do ubm. aquilo parece um desfile de modas, carros e estilos... mas cade o conteúdo?? isso a gente vê agora com o resultado das avaliações do mec e nessa matéria que vc publica aí no seu blog.
tá na hora dessas faculdades melhorarem o nivel do que ensinam para esses futuros profissionais.