18 de novembro de 2008

Sobre Mário Quintana

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Em navegação pela internet em busca de informações para o programa Universo Literário, na Rádio UniFOA, deparamos com um texto em que Mário Quintana se define. O texto é conhecido, mas não resistimos e compatilhamos com os quatro leitores do Sentido:

Mário por ele mesmo
Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.

Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.

...........Texto escrito pelo poeta para a revista IstoÉ, de 14/11/1984

2 comentários:

POESIA EM VOLTA disse...

"A luta amorosa com as palavras"...
só mesmo a simplicidade de um poeta especial para definir bem esse amor pela poesia. Uma postagem muito bacana. E essa rádio? É na web? Beijos

elaine bertone disse...

Parabéns pela escolha -- eu me identifico demais com o texto, só não nasci prematura e não são tão calada assim... Estive viajando, mas estou de volta, viu? bj