20 de agosto de 2008

A morte da Thaís

Morreu Thaís Torres. A menina sorridente dos sorrisos plásticos. A garota que não conheci cara-a-cara, mas com quem mantinha a intimidade de grande amiga, apenas por ler seus escritos. A jornalista jovem, mas já certa de seus objetivos, e que corria ávida atrás deles. Justa, combativa, honesta. O pouco que viveu da profissão, soube reconhecer rapidamente suas mazelas, principalmente nesse interior, mais provinciano do que nunca.

A morte da Thaís me paralisou. Acompanhei durante toda a quarta-feira os emails dos colegas no Grupo de Jornalistas do Sul Fluminense. Cada um a sua maneira desabafando sua dor, externando sua saudade, dividindo a tristeza e prestando sua homenagem. Só consegui ler, ler, ler... estarrecida. Mostrei a foto dela aos amigos do trabalho, disfarcei o choro, me revoltei com a vida, com o destino.

O que explica morte tão estúpida? Porque uma criatura tão jovem, cheia de sonhos e de planos tem que deixar tudo isso pra trás, assim, de repente, sem aviso prévio?

A morte da Thaís me chocou tanto que não tenho o constrangimento de confessar aqui que esse papo de morte me incomoda, como deve incomodar a muita gente, só que poucos admitem, ou escondem o pavor da morte embaixo do tapete. É uma notícia que põe na nossa cara a certeza de que o próximo minuto é incerto. É só atravessar a rua, ou tentar atravessar a rua. E não se chega do outro lado. Chega-se, de repente, ao outro lado da vida, para quem acredita nisso.

Não deu tempo de despedir de ninguém, de tirar um dinheirinho do banco, de avisar à família, dar um recado pendente a alguém. No armário pode ter ficado uma roupa nova ou um sapato novo, esperando uma ocasião especial. Os compromisso marcados ficaram esperando, aquele telefonema importante não foi dado. E de repente, abruptamente, um ônibus aparece no cenário da vida da Thaís e a retira do grande espetáculo.

Não fui ao enterro da Thaís, não encontrei os amigos que com certeza estavam no enterro da Thaís, não conheço a família da Thaís, mas sinto por todos. Sinto também por nós que ficamos aqui a renovar nossos dias, nossos projetos, a correr desesperadamente atrás dos nossos desejos e necessidades. Pena que normalmente fazemos tudo isso com tanta ansiedade, que não vemos a vida, não curtimos a vida, não valorizamos o que realmente vale a pena nesta vida. E um ônibus pode nos surpreender no meio da rua.
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2 comentários:

POESIA EM VOLTA disse...

Também não a conhecia, só por nome. A propósito, o último post dela é uma mensagem mesmo! Abraço

Bia Pacheco disse...

Giovana,
Entrei aqui para uma visita rápida, pois li seu comentário no meu blog e espero trocarmos assim mais "figurinhas".
Quando cheguei aqui, me deparei com esta linda homenagem à Thais. Sim, homenagem, pois ela se foi cedo demais e deixou todos nós com a certeza de que ela seria sempre vencedora, pois amava a vida.
Agora, espero imensamente que, apesar de tristes agora, façamos a Thais reviver em nossos corações amando as coisas simples da vida.
beijos