12 de agosto de 2008

Acordar, viver

Drummond

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

.

2 comentários:

POESIA EM VOLTA disse...

Dois posts com poesia... e densa... tem alguém cheia de Sentidos e com vontade de gritar por aí???
Vai lá fora e solta o grito. Se precisar de um megafone me fala. Beijo

rildobarros disse...

Que lindo! Não conhecia esse poema, maravilhoso!