21 de julho de 2008

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Que circo é esse?
Lamentável.
É a única palavra que me vem à cabeça ao tentar definir o que faz o circo Big Brother que está em exibição em Volta Redonda/RJ: utiliza cães que se apresentam dançando, sob as ordens daquele que se auto-intitula artista, mas que neste caso não passa de um simples adestrador, como vários por aí.

Pouquíssimo tempo depois do brilhante espetáculo do Circo da China na cidade, no qual os verdadeiros artistas dão o show, ficamos boquiabertos com a ousadia do Big Brother de exibir animais na cidade onde reside o deputado estadual Edson Albertassi, que criou a lei, de 2001, que proíbe animais em circo em todo o Estado do Rio.

Na entrevista que deram à reportagem do jornal Diário do Vale deste sábado, 19, os donos do circo, os irmãos Ewerton e Alessandro Lestra, (não sei qual dos dois é o adestrador, porque neste caso, reafirmo que artista não é), se justificam dizendo que os cães são bem tratados, comem ração e saem para passear. Eles não fazem mais que sua obrigação dar de comer, beber e passeio aos animais. Porém, daí vai uma longa distância de obrigar cachorros a fazerem o que não nasceram para fazer. Basta imaginar-se no lugar dos bichos, que sentem tudo o que a gente sente, para perceber que isso é no mínimo cinismo.

Lamentável.
É simplesmente lamentável ler, na entrevista, o dono do circo dizer que temos preconceito contra o circo. Seria preconceito sentir asco ao verificar a falta de higiene dos banheiros disponibilizados ao público? Será que ao aprovar a instalação de um circo no centro da cidade a prefeitura observou isso? Ou fez algum tipo de exigência neste sentido? O dono do circo disse que desconhece a lei que proíbe o uso de animais. Na hora de aprovar a instalação ele deveria ter sido informado. E quem é que aprova, não é a prefeitura?

Gostaria de dizer, diretamente aos donos do circo e adestradores (não são artistas), que não temos nenhum preconceito contra nenhum circo, desde que não sujeite animais a nada. Como disse anteriormente, pagaria três, quatro, cinco, 12 vezes para assistir ao espetáculo do Circo da China porque lá, sim, tem arte.

Sim, é lamentável.
Lamentável o dono cobrar que se faça algo pelos animais que estão abandonados nas ruas, se são os circos grandes responsáveis pelo sofrimento de centenas de animais, destinados ao abandono após não servirem mais para as apresentações. É lamentável tentar se eximir de uma responsabilidade, cobrando outra, que também deveria ser a sua. Afinal, é tão cruel animal abandonado na rua, quanto obrigado a fazer gracinhas para um público voraz, numa clara demonstração de trabalho escravo, onde se faz o que não se quer, em troca de casa e comida.

Lamentável que no século 21 ainda de submeta animais a espetáculos para diversão de humanos, como barbaramente se fazia três séculos antes de Cristo. Serão os donos de circo e adestradores seres bárbaros como aqueles? Mesmo sendo pais de família e que pagam seus impostos, como dizem os donos do circo na entrevista, cremos que não há necessidade de utilizar animal para ganhar a vida, mesmo porque, são eles mesmos, os donos do circo, que afirmam que “o número que envolve os cães corresponde a aproximadamente quatro minutos do espetáculo de duas horas”.

Lamentável ainda termos que ouvir tudo isso, após tanta luta por um pouco de educação, evolução, inteligência e sensibilidade das autoridades. Ainda falta muito, vemos aí o exemplo, mas não pretendemos descansar. E que as autoridades que deveriam fiscalizar este tipo de ‘entretenimento’, cumpram realmente o seu papel. É o mínimo que a sociedade exige.

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