18 de junho de 2008

A incógnita

Por Rubem Mauro Machado

O meteoro Barack Obama cruzou o firmamento político e esmagou as pretensões continuístas do clã Clinton. Muita gente parece eufórica com a sua escolha. De fato, é positivo que num país de tantas tradições racistas um jovem negro possa chegar à Presidência, isso encerra um simbolismo forte, como também haveria no caso da eleição de uma mulher pela primeira vez. Mas em termos políticos, sexo e cor da pele, por si sós, nada significam. Condoleeza Rice, negra e mulher, é um “falcão”, legítima representante do belicismo bushiano e dos interesses do complexo industrial-militar denunciado por Eisenhower. A verdade é que Barack é uma incógnita. Ninguém sabe exatamente o que pensa e o que fará. Pode ser uma ótima surpresa, mas também pode ocorrer o contrário (se vencer uma disputa que promete ser dura). Se não tivesse a confiança do establishment, com certeza não teria chegado onde chegou. O grande capital parece confiar nele. Mas sem dúvida, depois do desastre que foi a dupla administração de Bush filho, qualquer coisa que venha já será um avanço.
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